Produção de autos deve crescer mais do que se previa

Embora os números de junho tenham sido, em geral, piores do que os de maio, os resultados acumulados do primeiro semestre são promissores

O Estado de S.Paulo

07 Julho 2017 | 03h00

Um dos principais responsáveis pela recuperação da indústria de transformação nos últimos meses, o setor automobilístico deverá continuar a impulsionar a atividade econômica. Com os resultados animadores do primeiro semestre, a associação dos fabricantes de veículos, a Anfavea, fez uma forte correção de sua estimativa de crescimento da produção neste ano. Agora prevê aumento de 21,5% sobre o volume produzido no ano passado, bem acima da alta prevista até há pouco, de 11,9%. Se isso se confirmar, ao longo do ano terão saído das linhas de produção 2,619 milhões de unidades (em 2016, foram produzidos 2,156 milhões de veículos).

Embora os números de junho tenham sido, em geral, piores do que os de maio – mas muito superiores aos de junho de 2016 –, os resultados acumulados do primeiro semestre são promissores. A produção do período de janeiro a junho, que alcançou 1,263 milhão de unidades, foi 23,3% superior à do primeiro semestre de 2016.

O crescimento foi generalizado. No primeiro semestre, na comparação com igual período do ano passado, a produção de automóveis e comerciais leves cresceu 23,7%; a de caminhões pesados, 15,3%; e a de ônibus, 7,9%.

Mas o desempenho mais exuberante do setor automobilístico tem sido o das exportações. No primeiro semestre, registrou-se o recorde de unidades exportadas, 372,6 mil veículos (incluindo máquinas agrícolas), 57,2% mais do que o resultado do primeiro semestre do ano passado. Em valor, o aumento foi de 53%.

O presidente da Anfavea, Antonio Megale, vê esses números como uma indicação de que gradualmente os agentes econômicos estão descolando suas expectativas da crise política, que a cada momento tem novos componentes. “Apesar da instabilidade política, a economia está rodando”, disse Megale.

Problemas, obviamente, persistem. O presidente da Anfavea lembra, por exemplo, que, apesar da intensa e contínua redução dos juros básicos, as instituições financeiras continuam “muito conservadoras” na concessão de crédito para a compra de veículos. “Os bancos ainda estão avessos ao risco, porque estão sofrendo com a inadimplência que tiveram lá atrás.”

Além disso, a crise não acabou. Embora a taxa de desemprego tenha diminuído ligeiramente, ainda há quase 14 milhões de brasileiros sem ocupação. E a renda continua comprimida.

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