Produção de café do Peru cai por escassez de trabalhador e praga

O terceiro produtor de café da América do Sul, o Peru, fechará o ano com um balanço negativo em sua colheita, por uma escassez de mão de obra e pelo avanço de uma doença fúngica.

OMAR MARILUZ, Reuters

31 Outubro 2012 | 17h22

A situação levou o Peru a estimar uma queda de aproximadamente 25 por cento na safra 2012, para 5,5 milhões de sacas de 45 quilos, na comparação a temporada passada.

Mesmo assim, para o próximo ano, o governo prevê um retorno aos níveis de produção registrados em 2011, como resultado de uma melhor fertilização e renovação das plantações.

"Este ano tem havido uma diminuição principalmente em consequência do esgotamento natural das plantações, que no caso do café já são antigas, e também pelo baixo nível de uso de tecnologias", afirmou à Reuters o ministro da Agricultura, Milton Von Hessen.

O Peru, que tem no café seu principal cultivo, está atrás do Brasil e da Colômbia na América do Sul na produção de café.

A queda na produção é maior que a esperada por produtores.

O gerente geral da Junta Nacional do Café, Lorenzo Castillo, disse à Reuters que alterações climáticas no padrão das chuvas estão afetando a maturação dos grãos e, em consequência, toda a produção do país andino.

"A queda não devia ser de mais de 10 por cento, mas no Peru tem sido muito alta essa oscilação, devido ao fato de 70 por cento das plantações serem velhas..., a isso tem que somar o mau tempo", disse.

O clima não é o único problema.

O governo diz que a falta de fertilizantes tem gerado um enfraquecimento dos cafezais.

O fungo da roya, que causa uma queda prematura das folhas de café, também tem afetado a produção.

A falta de mão de obra é outro fator.

Von Hessen disse que a produção de coca representa uma forte concorrência para os produtores de café no momento de contratar pessoal, devido a uma significativa diferença salarial entre as atividades.

"Este é um eterno problema com o narcotráfico, como é um negócio que está perdendo espaço, recorrem a maiores salários para os trabalhadores, e aí aparece a concorrência salarial", acrescentou.

Os cafeicultores dizem que enquanto o setor paga entre 35 e 40 soles (13 e 15 dólares) diários, o narcotráfico paga até 100 soles (38 dólares).

Mais conteúdo sobre:
COMMODSCAFEPERU*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.