Produção de cana deve ser recorde, projeta Conab

Terceiro levantamento da safra da Companhia indica produção de cana de 612,21 milhões de toneladas

Equipe AE,

16 de dezembro de 2009 | 09h38

A produção total de cana-de-açúcar a ser moída pela indústria sucroalcooleira este ano deve bater recorde. Segundo mostra o terceiro levantamento da safra, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de cana está estimada em 612,21 milhões de toneladas. O volume, no entanto, é 2,7% menor do que o previsto na pesquisa de setembro (629,02 milhões de toneladas), mas cerca de 7% maior do que a safra de 2008/2009.

 

Os técnicos da Conab apuraram que a lavoura de cana está ainda em fase de colheita. A variação menor da produção, comparada com o levantamento anterior, pode ser atribuída ao excesso de chuvas ocorrido entre julho e novembro, principalmente na região Centro-Sul do País. Em razão disso, boa parte da produção ficará no campo para a próxima safra, informa a Conab em comunicado à imprensa. O teor de sacarose também foi prejudicado pelo excesso de umidade, justamente no período mais intenso da moagem.

A produtividade média das lavouras aumentou 0,4% sobre a temporada anterior, e agora é de 81.293 quilos por hectare.

 

Álcool

 

De acordo com a Conab, do total de cana esmagada este ano, cerca de 54% (336,2 mil toneladas) será destinado à produção de 25,8 bilhões de litros de álcool. Desse volume, 18,2 bilhões de litros são do tipo hidratado e 7,6 bilhões de anidro.

 

O etanol (hidratado) deve apresentar redução de exportação de cerca de 1,5 bilhão de litros em relação à safra passada, que foi de 4,9 bilhões de litros. Segundo os técnicos da estatal, o mercado interno sinaliza positivamente, com maior crescimento de consumo, por causa do aumento da frota de veículos flex-fuel que representam 90% dos carros leves.

 

Já o restante da cana moída, cerca de 45% (276 mil toneladas), vai para a produção de 34,6 milhões de toneladas de açúcar. De 23 a 24 milhões de toneladas do açúcar produzido devem ser exportadas, principalmente para Índia e Rússia. Na temporada anterior foram 20 milhões de toneladas do produto. O consumo interno aproxima-se de 11 milhões t, sendo que 60% por meio de produtos industrializados.

 

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, e o presidente da Conab, Wagner Rossi, devem detalhar os resultado da pesquisa em entrevista coletiva aos jornalistas, às 10 horas.

 

Café

 

A produção de café no País deve ficar em 39,47 milhões de sacas de 60 quilos de café, conforme mostra o resultado da quarta e última estimativa da safra nacional (conillon e arábia), divulgado pela Conab. Conforme explicam os técnicos da estatal, a atual temporada é redução na colheita (bienalidade negativa). Comparando-se aos últimos dez anos, no entanto, este é o melhor resultado alcançado entre os biênios de baixa, superando em 9,4% o de 2007.

 

Na comparação com a safra de 2008, período em que a produtividade foi positiva, houve um recuo de 14,18%, ou 6,52 milhões de sacas a menos. Segundo a Conab, outro fator que contribuiu para este quadro foi o regime de chuvas irregular e as temperaturas elevadas. As altas precipitações pluviométricas dos últimos meses, coincidindo com as fases de maturação e colheita do grão, comprometeram os processos de colheita e secagem, resultando em um maior volume de café com qualidade inferior.

 

A produção de café arábica, que representa 73,1% da produção total, ficou em 28,9 milhões de sacas, redução de 18,5%, ou decréscimo de 6,62 milhões de sacas. As principais quedas foram registradas em Minas Gerais (-16,8%) ou 3,95 milhões de sacas, Paraná (-43,8%) ou 1,14 milhão de sacas e São Paulo (-22,6%) ou 997 mil sacas. Minas é o maior produtor, com 19,60 milhões de sacas, ou 68,08% do total.

 

Já a safra de café conillon (robusta), responsável por 26,9% da produção nacional, está projetada em 10,60 milhões de sacas. Isso representa um crescimento de 0,9% sobre a produção da safra anterior. O Espírito Santo é o maior produtor de conillon, com 7,60 milhões de sacas, seguido por Rondônia (1,55 milhão) e Bahia (542 mil). A espécie robusta, diferentemente da arábica, não sofre com o fenômeno da bienalidade, explicam os técnicos da Conab.

 

Neste ano os cafezais ocupam uma área produtiva de 2,09 milhões de hectares, também com redução de 3,54% sobre a superfície de 2,17 milhões ha da safra passada. Com isso, pelo menos 76,89 mil hectares deixaram de ser cultivados.

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