Produção de carros na Argentina ficou estagnada no mês passado

Montadoras instaladas no país vizinho sofrem com a retração das exportações de veículos para o Brasil

Ariel Palacios, Correspondente - O Estado de S.Paulo

11 de março de 2014 | 02h05

BUENOS AIRES - O setor automotivo argentino, que desde 2003 foi a locomotiva da recuperação econômica do país, está em estado de virtual estancamento. Em fevereiro, segundo a Associação de Fabricantes de Automóveis (Adefa), a produção foi de 52.941 veículos, o equivalente a somente 0,1% a mais do que no mesmo mês de 2013. No entanto, a produção do primeiro bimestre foi de 89.097 unidades, com queda de 8,1% na comparação ao mesmo período de 2013.

A Adefa afirma que existe um clima de "incertezas em relação à futura evolução do nível de atividade". Por esse motivo, a entidade considera que é prudente esperar o encerramento do primeiro trimestre para fazer previsões sobre o ano.

A indústria automotiva está cautelosa. Motivos existem de sobra, já que em 2013 o setor havia iniciado o ano com expectativas de produzir 900 mil unidades. No entanto, as montadoras fabricaram 791 mil unidades, alta de apenas 3,5% em relação aos 764 mil veículos de 2012.

A indústria automotiva da Argentina sofre a queda nas vendas para o principal mercado externo, o Brasil. No primeiro bimestre do ano, o setor vendeu ao mercado brasileiro 39.986 unidades, volume inferior em 2.816 veículos em comparação com igual período de 2013.

Segundo a Adefa, "o atual contexto da queda da demanda externa de nossa produção desde o mercado do Brasil reforça a necessidade de trabalhar no fortalecimento do vínculo de longo prazo baseado na especialização e complementação industrial com o país vizinho, principal destino das exportações".

No primeiro bimestre deste ano, as exportações argentinas de veículos ao Brasil representaram metade do total da produção da Argentina nesse período.

Mercado interno. Os problemas do setor automotivo argentino também estão sendo causados por um retrocesso no mercado interno gerado pelo aumento dos impostos que o governo da presidente Cristina Kirchner aplica desde 2013 sobre os veículos mais caros. Além disso, o setor sofre a desvalorização do peso que, com a escalada da inflação, gerou um aumento do custo para a importação de autopeças.

O diretor da consultoria econômica Finsoport, Jorge Todesca, sustenta que as vendas no mercado interno teriam em 2014 queda de 32% em relação a 2013. O governo Kirchner deve receber os fabricantes nesta semana para avaliar a situação do setor e eventualmente aplicar uma redução dos impostos.

O setor automotivo argentino passou por diversos altos e baixos nos últimos 15 anos. Em 1998, a produção atingiu a marca de 455 mil veículos, um recorde na época. Mas, logo em seguida, a recessão provocou uma retração no setor.

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