Produção de cerveja teve queda de 1,8% no primeiro semestre

Setor vinha crescendo de 5% a 6% ao ano; agora, registra primeiro recuo desde 2010, início da série de dados do Sicobe

O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2013 | 02h06

A produção de cerveja no Brasil atingiu 6,22 bilhões de litros no primeiro semestre deste ano, uma queda de 1,8% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe), da Receita Federal. Essa é a primeira queda na produção da bebida no País registrada pelo sistema, que reúne dados desde 2010.

"Isso é uma inflexão brutal. O setor vinha crescendo de 5% a 6% ao ano entre 2005 e 2012", disse o diretor-geral da Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil), Paulo Petroni. "Nunca é uma causa única. A corrosão da renda pela alta de preços foi o fator principal, mas a Lei Seca também influenciou", disse.

A Ambev, líder do setor e dona das marcas Skol e Brahma, vendeu um volume 8,2% menor de cerveja no Brasil no primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2012. A retração fez a receita da empresa no País nesse segmento cair 0,3%, para R$ 4,12 bilhões no período. A queda no faturamento foi menor do que em volume devido à alta de preços promovida em 2012 e ao aumento do portfólio de cervejas premium, disse a empresa no relatório de divulgação de resultados.

Nos bares e restaurantes, o faturamento caiu cerca de 20% nos seis primeiros meses do ano. A Lei Seca foi a principal razão para a retração, disse o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Joaquim Saraiva. As bebidas representam 40% da receita dos restaurantes e 80% do faturamento dos bares.

"Alguns empresários deixaram de repor funcionários que saíram. Se a situação continuar assim no decorrer do ano, vão demitir", disse. O setor emprega 6 milhões de pessoas diretamente e registrou faturamento de R$ 85 bilhões em no ano passado - 40% disso em São Paulo.

O empresário Arnaldo Altman, dono dos bares Filial, Genésio e Genial, no bairro Vila Madalena, em São Paulo, disse que o faturamento dos bares caiu entre 20% e 25% entre janeiro e abril. "Sentimos uma queda acentuada no movimento quando a nova Lei Seca entrou em vigor. Agora começou a recuperar, mas ainda estamos 10% abaixo do ano passado", disse Altman.

O empresário diz que não demitiu nem aumentou preços diante da queda no movimento, e, por isso, perdeu margem de lucro. A esperança dele é de que as novas opções de transporte saiam do papel e tragam o consumidor de volta. "A lei ficou mais severa para o motorista, mas não trouxe uma contrapartida em transporte coletivo", disse.

Um dos sócios do Boteco São Bento, Ronaldo Camelo, que é dono de três bares e uma pizzaria no Estado, disse que conseguiu manter o faturamento estável após a Lei Seca entrar em vigor. Ele disse, no entanto, que a demanda pelo serviço de valet caiu entre 25% e 30% na unidade do bairro Itaim Bibi. "Achamos que os clientes estão saindo mais de táxi e que o público está mais concentrado em pessoas que moram na região."

Mais do que com a Lei Seca, Camelo está preocupado com a desaceleração da economia e com a inflação. Isso o motivou a revisar o cardápio e reduzir preços em abril. "Com a crise, muita gente está optando por comer e beber em casa, porque é mais barato." / M.G.

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