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Produção de etanol de 2ª geração vai começar em 2014

O etanol de segunda geração chegará aos postos de combustíveis brasileiros no ano que vem. A tecnologia, que até o momento é realidade no Brasil apenas em projetos experimentais, é a grande aposta de gigantes como a Raízen, joint venture entre Shell e Cosan, e a Granbio, empresa da família Gradin, para ampliar a produção de etanol. As fábricas das duas empresas já estão em construção e a previsão é que comecem a produzir o combustível em escala comercial em 2014.

MARINA GAZZONI, Agencia Estado

29 de novembro de 2013 | 07h53

A nova tecnologia viabiliza no Brasil a produção de etanol de bagaço e palha de cana-de-açúcar, aproveitando resíduos das usinas que hoje fazem o etanol de primeira geração. "A tecnologia de segunda geração é a aposta da Raízen para a expansão em etanol. Com a tecnologia, poderemos produzir 50% mais litros a partir da mesma área plantada de cana e otimizar nossos ativos", disse o diretor de bioenergia e tecnologia da Raízen, João Alberto Abreu.

A Raízen tem 24 usinas no Brasil e é líder no mercado de etanol. A empresa pretende integrar unidades de produção do etanol de segunda geração em oito dessas usinas e extrair até 1 bilhão de litros do combustível. A primeira fábrica será em Piracicaba (SP) e terá investimento de R$ 230 milhões, com produção de 40 milhões de litros/ano. A inauguração está prevista para o segundo semestre de 2014.

Cenário

O etanol de segunda geração deve trazer uma nova onda de expansão no segmento, que perdeu competitividade nos últimos anos. Com a política do governo de controle de preços da gasolina, o etanol deixou de ser vantajoso para o proprietário de um carro flex na maioria das cidades. O setor pisou no freio e hoje cerca de 10% das 400 usinas de álcool estão fechadas no Brasil, segundo estimativas da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica). "A política de subsídio da gasolina não se sustenta. Esse cenário vai mudar e o etanol voltará a ser competitivo na bomba", disse o vice-presidente executivo da Granbio, Alan Hiltner.

A Granbio está construindo uma fábrica de etanol de segunda geração em Alagoas, integrada a uma usina do Grupo Carlos Lyra. A unidade terá capacidade para produzir 82 milhões de litros por ano e deve ser inaugurada no primeiro trimestre de 2014. "A primeira unidade já será lucrativa e vamos produzir abaixo do custo do etanol comum", disse Hiltner.

A empresa pretende investir R$ 4 bilhões até 2020, construir dez usinas de etanol de segunda geração e atingir uma capacidade de produção de 1 bilhão de litros de etanol por ano.

A Granbio planeja exportar 50% da sua produção para aproveitar os incentivos financeiros oferecidos por países desenvolvidos para o consumo de combustível renovável. Nos Estados Unidos, hoje o prêmio para a venda de etanol de segunda geração é de US$ 0,65 o galão.

Tecnologia

O etanol de segunda geração pode ser feito a partir de um processo que transforma a celulose em glicose, usando enzimas especiais, seguidas por um processo de fermentação. Raízen e Granbio usarão enzimas da dinamarquesa Novozymes, que investirá US$ 300 milhões na construção de uma fábrica no Brasil em 2014.

O processo produtivo de Raízen e Granbio foi desenvolvido por parceiros estrangeiros e adaptado para a utilização de cana como matéria-prima. A Granbio é parceira da italiana Beta Renewables, que inaugurou sua fábrica em outubro e foi a primeira no mundo a produzir etanol de segunda geração em escala comercial. Já a Raízen traz a tecnologia da canadense Iogen, uma empresa que tem a Shell entre os acionistas e investiu US$ 500 milhões na tecnologia nos últimos 20 anos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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