Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Produção de grãos cai 0,4% em 2021; IBGE prevê safra recorde este ano

Segundo o IBGE, o bom desempenho de 2022 será impulsionado pela recuperação do milho e por novo recorde na soja

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2022 | 14h16

RIO - Confirmado o desempenho negativo em 2021, com queda de 0,4% ante 2020, a produção de grãos segue com perspectivas de forte alta em 2022, com safra recorde, conforme projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgadas nesta terça-feira, 11. 

O terceiro prognóstico do órgão para a safra de 2022 aponta para uma produção de 277,1 milhões de toneladas, um salto de 9,4% em relação ao resultado de 2021. O quarto levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), também divulgado nesta terça-feira, 11, corrobora com a perspectiva de recorde, projetando 284,39 milhões de toneladas, um incremento de 12,5% sobre a safra anterior. 

A queda na produção de grãos passou a ser estimada em meados do ano passado, por causa da estiagem e das geadas do inverno, frustrando a possibilidade de mais uma safra recorde. Mesmo assim, pelos dados do IBGE, a produção registrada em 2021 foi a segunda maior da série histórica, iniciada em 1975. Ficou atrás apenas dos 254,1 milhões de toneladas de 2020, o recorde atual – que deverá ser suplantado pela safra de 2022, se as condições climáticas permitirem.

Em relação ao segundo prognóstico para 2022 divulgado pelo IBGE, referente a novembro, a projeção para a produção agrícola foi ajustada ligeiramente para baixo, com queda de 0,3%. Houve revisões para baixo tanto nos prognósticos para a produção de soja quanto de milho, ainda sem registrar os efeitos recentes do excesso de chuvas no sul da Bahia e no Sudeste e da seca na Região Sul.

Soja

Segundo o IBGE, o bom desempenho de 2022 será impulsionado pela recuperação do milho e por novo recorde na soja. Para a soja, o IBGE projeta uma produção de 138,3 milhões de toneladas. Se confirmada, será uma safra 2,5% maior do que a de 2021, que já foi recorde. “Ao contrário da safra 2021, quando houve atraso no plantio, nesta safra, a semeadura da soja ocorreu antecipadamente, de forma acelerada, na maior parte das regiões produtoras”, diz a nota divulgada pelo IBGE.

O atraso no plantio na safra anterior se deu por causa da demora no início das chuvas no período hmido do Centro-Sul. As chuvas não chegaram em outubro de 2020, conforme o padrão histórico. Na safra atual, as chuvas chegaram, em boa quantidade, em outubro passado, conforme o normal, permitindo o início do plantio da soja ainda naquele mês.

Milho

Já para o milho, cuja segunda safra de 2021 foi uma das culturas mais atingidas pela estiagem do inverno passado, o IBGE projeta uma produção total de 108,9 milhões de toneladas. Se confirmada, será um salto de 24,1% em relação à safra de 2021. A segunda safra deverá colher 80,4 milhões de toneladas, salto de 29,4% ante 2021. Já a primeira safra deverá colher 28,5 milhões de toneladas, avanço de 11,2% sobre 2021.

“Após uma grande queda na produção em 2021, efeito do atraso do plantio da segunda safra e da falta de chuvas nas principais unidades produtoras, aguarda-se um ano dentro da normalidade o que propiciará a recuperação das lavouras, inclusive devendo atingir um novo recorde nacional”, diz a nota do IBGE.

O atraso no plantio da segunda safra de milho, em 2021, se deu também por causa do regime de chuvas. Isso porque a segunda safra de milho é plantada nos mesmos campos usados para a soja. Como, em outubro de 2020, as chuvas não chegaram ao Centro-Sul, o atraso no plantio da safra de 2021 de soja acarretou no atraso, também, no plantio da segunda safra de milho. Só por isso, a produção do milho de segunda safra já estaria ameaçada, mas a estiagem piorou tudo.

Com a combinação dos dois fatores, a produção total de milho ficou em 87,8 milhões de toneladas em 2021, tombo de 15,0% ante 2020. A área plantada, de 19,7 milhões de hectares, foi 7,5% superior a do ano anterior. A segunda safra de milho foi de 62,1 milhões de toneladas, tombo de 18,9% ante 2020.

Cana-de-açúcar e café 

Cana-de-açúcar e café também foram destaque entre as culturas atingidas pela estiagem e pelas geadas do inverno passado. A cana-de-açúcar amargou uma queda de 10,1% na produção em 2021, com 609,3 milhões de toneladas. “A produtividade dos canaviais caiu 9,1% devido aos problemas climáticos enfrentados ao longo do ciclo da cultura. São Paulo, principal estado produtor, produziu quase metade cana nacional: 301,8 milhões de toneladas, mesmo com a queda de produtividade de 13,8% em seus canaviais comparado ao ano anterior”, diz a nota do IBGE.

No caso do café, as geadas derrubaram ainda mais a produção, já que uma queda ante 2020 já era esperada. O ciclo de produção dos cafezais segue um ritmo bianual – as plantas produzem mais em um ano e menos no seguinte. Isso faz com que, mesmo que os cafezais produzam a pleno vapor, a produção global sempre caia nos anos de baixa, ante os anos de alta. E 2021 era um ano de baixa, ou seja, a produção de café cairia normalmente – mas o clima piorou o quadro.

Segundo o IBGE, considerando-se as duas espécies de café, arábica e canephora, a produção total foi de 2,9 milhões de toneladas, ou 49,0 milhões de sacas de 60 kg, tombo de 21,1% em relação a 2020. “Em 2021, a safra de arábica é de bienalidade negativa, o que resultou em uma retração expressiva da produção (-21,1%), fechando o ano 1,9 milhão de toneladas”, diz o IBGE.

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