Eduardo Monteiro/Divulgação
Eduardo Monteiro/Divulgação

Produção de grãos na safra 2016/17 deve ser recorde

Segundo a Conab, a produção pode chegar a 215,27 milhões de toneladas e ter um aumento de 15,3%

Fernanda Nunes e Tomas Okuda, Broascast

10 de janeiro de 2017 | 10h26

SÃO PAULO - A produção brasileira de grãos na safra 2016/17, em fase de plantio, deve alcançar recorde de 215,27 milhões de toneladas, o que corresponde a um aumento de 15,3% (ou 28,6 milhões de t), em comparação com o total de 186,7 milhões de t no período 2015/16. Os números fazem parte do quarto levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgados nesta terça-feira, 10.

Segundo a Conab, o resultado positivo se deve à produtividade média das culturas, em recuperação da influência negativa das condições climáticas da safra passada. A área total tem previsão de ampliação em 1,4% (ou 745,6 mil hectares) quando comparada à safra anterior, podendo atingir 59,08 milhões de hectares.

A soja, principal cultura de verão, deve registrar crescimento de 8,7% na produção, podendo alcançar 103,78 milhões de toneladas, com aumento de 8,3 milhões de t frente à safra anterior. A área de cultivo com a oleaginosa deve crescer 1,6%. 

O milho primeira safra deverá alcançar 28,40 milhões de toneladas, com um aumento de 9,9% (mais 2,5 milhões de toneladas) em comparação com a safra 2015/16. A área de plantio com o cereal deve ser ampliada em 3,2%.

O feijão primeira safra deve atingir 1,3 milhão de toneladas, resultado 25,7% superior à safra passada, enquanto para o arroz a previsão é de colheita de 11,64 milhões de toneladas (aumento de 9,7%). Já o algodão pluma deve crescer 10,1% e pode atingir 1,41 milhão de toneladas, apesar de uma redução de 5,2% na área cultivada. "Algodão e arroz tiveram redução de área, por causa da substituição pelo cultivo de soja, o que não ocorreu com as demais culturas de primeira safra", explicam os técnicos da Conab.

Balanço. A safra colhida em 2016 foi 12,2% inferior à de 2015, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola e o terceiro prognóstico da safra 2017. A estimativa de dezembro para a colheita do ano passado é de 184,0 milhões de toneladas, enquanto em 2015 foi de 209,7 milhões de toneladas. 

Já a área colhida em 2016 ficou em 57,1 milhões de hectares, recuo de 0,9% em comparação ao ano anterior. O arroz, o milho e a soja, principais produtos cultivados, representaram 92,2% da estimativa de produção e responderam por 87,8% da área colhida. Ante 2015, o IBGE registrou recuo na produção da soja (-1,8%), do arroz (-14,0%) e do milho (-25,7%). 

Segundo o IBGE, no ano, foram registradas quedas de produção em relação à safra passada de 16,3% na região Centro-Oeste (produção de 75,1 milhões de toneladas); de 3,6% no Sul (73 milhões de toneladas); de 2,1% no Sudeste (19,6 milhões de toneladas); de 42% no Nordeste (9,5 milhões de toneladas); e de 12,5% no Norte (6,7 milhões de toneladas. 

"Nessa avaliação para 2016, Mato Grosso foi o maior produtor nacional de grãos, com uma participação de 23,9% no total do País, seguido pelo Paraná (19%) e Rio Grande do Sul (17,3%). Somados, esses três Estados representam 60,2% do total nacional", informou o IBGE em comunicado. 

O IBGE estima produção de 104,92 milhões de toneladas de soja em 2017, 9,6% maior que a do no ano passado. "Há possibilidade de novo recorde na produção nacional do grão neste ano. Em Mato Grosso, principal Estado produtor, a previsão é de que a produção cresça 10,6%, atingindo 29,05 milhões de toneladas", informou o IBGE em comunicado. 

Já a estimativa para a produção do milho neste ano alcança 82,97 milhões de toneladas, crescimento de 31% em relação a 2016. Para a primeira safra, a expectativa é de produção 29,47 milhões de toneladas, 21,2% maior que a do período anterior, "marcado por expressivas perdas em virtude das condições climáticas adversas", segundo o instituto. 

Segundo o IBGE, Minas Gerais desponta com maior área plantada de milho primeira safra, com 895.550 hectares (ha), 5,6% superior à área plantada na safra anterior. No Rio Grande do Sul, a previsão é de aumento de 17,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Enquanto, em Santa Catarina, onde o maior volume de milho é produzido na primeira safra, há expectativa de "boa produtividade, em virtude do investimento em sementes de alta tecnologia", de acordo com o instituto. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.