Produção de milho supera a safra de soja no Brasil

Pesquisa do IBGE mostra que o município de Sorriso, em MT, perde o posto de maior receita agrícola para São Desidério, na BA

IDIANA TOMAZELLI / RIO, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2013 | 02h04

O município de São Desidério, na Bahia, obteve a maior receita agrícola em 2012, desbancando Sorriso, em Mato Grosso, que era líder até então. O ano também foi marcado por mudanças no perfil de culturas: a produção de soja deixou de ser a principal do País e foi superada pela de milho, que teve como impulso a expansão da segunda safra.

Os dados são da pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM), referente ao ano passado e divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pesquisa mostra ainda que grãos e matérias-primas sofreram com períodos de estiagem e adversidades no clima. Ao todo, 41 das 64 culturas investigadas pela pesquisa registraram queda na produção.

Nesse quadro, São Desidério foi a líder na produção de algodão e respondeu por 12,4% do volume colhido. Apesar dos prejuízos provocados pela seca, o aumento de preços elevou a receita em 35%, para R$ 2,3 bilhões (1,1% do total arrecadado). Apesar de ter perdido o primeiro posto, Sorriso não ficou muito atrás com as safras de soja e de milho, faturando R$ 2,06 bilhões com sua produção agrícola, 1% do total nacional.

Milho. O preço mais elevado do milho atraiu os produtores e fez com que o grão superasse a soja em volume no ano passado. Só em Sorriso, que teve a maior safra, a expansão da produção foi de 124,6%, para 1,99 milhão de toneladas. O Brasil produziu 71 milhões de toneladas (27,7% a mais do que em 2011). Mais da metade desse volume veio da segunda safra, que pela primeira vez na história superou a primeira. Nos destaques estaduais, Paraná segue como líder, respondendo por 23,3% da produção nacional, seguido por Mato Grosso (22%).

Clima. Prejudicada pela seca, a soja deixou o posto de principal cultura e a safra foi 12% menor (65,8 milhões de toneladas). A expansão da área destinada ao grão não foi suficiente para evitar a queda e os municípios líderes sentiram os efeitos da estiagem. Sorriso, que respondeu por 3% da produção nacional de soja, viu o volume minguar para 1,96 milhão de toneladas, uma queda de 6,1%.

Entre os Estados, o Rio Grande do Sul teve o maior prejuízo e perdeu quase metade de sua produção, caindo da terceira para a quarta posição. A safra em 2012 ficou em 5,94 milhões de toneladas (9% do total), contra 11,71 milhões de 2011. O líder é Mato Grosso, com 33,2% no total nacional.

A seca ainda varreu as produções de diversos produtos, entre eles arroz (-14,3%), feijão (-18,6%), mandioca (-9,1%) e cana-de-açúcar (-1,8%). No caso da cana, a queda registrada foi a primeira em 12 anos. A laranja também teve produção inferior ao esperado, com queda de 9,1%, influenciada pela crise na Europa, pelas sanções impostas pelos Estados Unidos e pelo ataque de algumas pragas nos laranjais. Na contramão, a produção de café cresceu 12,5%.

Concentração. Os dados do IBGE mostraram também que a produção agrícola brasileira ainda é bastante concentrada. São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais e Paraná responderam juntos por 55% de toda a receita de 2012, de R$ 203,95 bilhões.

A concentração também é verificada entre as culturas. "Em alguns Estados, a agricultura está concentrada em poucos produtos, o que pode trazer sérios prejuízos em caso de intempéries ou queda nos preços", advertiu o instituto. A soja é o principal produto em nove estados, enquanto a cana domina em seis. Em Alagoas, por exemplo, a matéria-prima respondeu por 86% da receita. Já a soja foi responsável por 57,4% do valor de produção de Mato Grosso.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.