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Produção de minério da Vale cai 3,5%

Mineradora atribuiu recuo a fatores como alto índice de chuvas e questões ambientais

O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2013 | 02h09

A mineradora Vale divulgou ontem relatório que apontou, no primeiro trimestre, redução de 3,5% na extração de seu principal produto, o minério de ferro, em relação a igual período do ano passado. Na comparação com o quarto trimestre, os 67,536 milhões de toneladas de minério produzidos representaram queda de 21%.

A empresa atribuiu o resultado a características específicas do período, como o alto índice de chuvas, a dificuldades na obtenção de licenças para lavra e outras questões ambientais.

Apesar do desempenho ruim de minério e pelotas, a mineradora destacou, no relatório, que o resultado dos primeiros meses do ano foi marcado, principalmente, "pelo forte desempenho operacional dos ativos de metais básicos". As produções de cobre e de cobalto registraram níveis recordes, enquanto a de níquel teve "o melhor primeiro trimestre dos últimos três anos".

Na próxima semana, a Vale divulga o resultado financeiro do primeiro trimestre. No final do ano passado, a mineradora registrou seu primeiro prejuízo trimestral (R$ 5,628 bilhões) desde 2002, que fez o lucro anual despencar para R$ 9,734 bilhões, uma queda de 74,2% em relação a 2011.

No primeiro trimestre deste ano, a produção no complexo de Carajás, no Pará, sua principal fonte de extração de minério, foi de 21,711 milhões de toneladas, uma leve queda, de 0,5%, em relação ao início de 2012. A retração em Carajás foi acompanhada pela queda da produção nos sistemas Sudeste e Sul. As produções no sistema Centro-Oeste e na Samarco, por outro lado, cresceram no primeiro trimestre, na comparação com o mesmo período de 2012.

Licença. Ontem, durante assembleia de acionistas para aprovação das contas do ano passado, a Vale anunciou esperar para o segundo semestre a licença de operação do projeto Adicional 40, em Carajás - que tem por objetivo expandir em 40 milhões de toneladas por ano a produção de minério de ferro da empresa na região. O diretor global de controladoria da mineradora, Marcelo Botelho, informou também que a empresa aguarda ainda para o primeiro semestre a licença de operação do projeto desenvolvido na região para dar suporte logístico ao Adicional 40.

A mineradora vai investir também US$ 13 bilhões em dois grandes empreendimentos, Conceição Itabiritos e Long Harbor, para acelerar sua produção. A programação de produção de 306 milhões de toneladas para 2013 se mantém, conforme foi destacado no relatório.

"Devido à sazonalidade, o primeiro trimestre é o mais fraco do ano, dado que as operações são afetadas pela temporada de chuvas no hemisfério Sul, o que causa impactos negativos particularmente sobre a produção de minério de ferro, manganês e cobre (Brasil) e carvão (Austrália e Moçambique)", explicou a mineradora no relatório. As chuvas prejudicaram principalmente as operações nos terminais marítimos de Ponta da Madeira, Tubarão, Ilha Guaíba e Itaguaí.

Ontem, as ações da Vale atravessaram o dia em baixa, pressionadas por notícias internacionais. No final da tarde, a informação de que a China - o principal mercado da mineradora - se tornará um grande importador e que suas importações podem totalizar US$ 3 trilhões em 2020 se a economia crescer modestamente ajudaram no desempenho das ações da empresa. Os papéis preferenciais (sem direito a voto), que chegaram a operar em queda de cerca de 3%, acabaram fechando a sessão com alta de 0,36%.

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