Produção de minijatos decola

Embraer inaugura hangar para fabricar o Phenom em Gavião Peixoto, marcando mudança de perfil da empresa

Mariana Barbosa, O Estadao de S.Paulo

02 de janeiro de 2008 | 00h00

A Embraer acaba de inaugurar um novo hangar em sua fábrica de Gavião Peixoto, interior do Estado de São Paulo, dedicado exclusivamente à produção dos minijatos Phenom 100 e 300. A inauguração do hangar, na semana passada, marca uma nova etapa na história da Embraer, que começou atuando na área de Defesa, como fornecedora da Força Aérea Brasileira (FAB) e, pós privatização, se reinventou como fabricante de jatos regionais para a aviação comercial.Com o início da produção dos primeiros jatos projetados especialmente para a aviação executiva - o Legacy é uma adaptação de um modelo de jato comercial -, a empresa entra em uma terceira fase. "Queremos ser um ator de peso na aviação executiva e oferecer um amplo portfólio de produtos", avisa o vice-presidente para o mercado de aviação executiva, Luís Carlos Affonso. Ser um ator de peso significa competir com Bombardier, Gulfstream e Dassault, fabricantes que faturam, apenas no segmento de aviação executiva, algo como US$ 3 bilhões a US$ 5 bilhões. A Embraer como um todo deve faturar, em 2007, US$ 5,2 bilhões, ante US$ 3,8 bilhões no ano anterior.Em 2007, a aviação executiva deve representar pouco mais de 15% do faturamento da fabricante brasileira, algo como US$ 800 milhões a US$ 900 milhões. Para este ano, com a entrega dos primeiros Lineage (jato executivo cujo projeto é uma adaptação do EMB 190) e o início da fabricação dos Phenom 100, o segmento deve atingir a marca de US$ 1 bilhão - considerando as entregas previstas e o preço de lista dos aviões. Pelo mesmo critério, em 2009 - ano em que o novo hangar de Gavião Peixoto estará em plena capacidade -, as receitas passarão para US$ 1,5 bilhão. Nesse ritmo, considerando o crescimento da Embraer como um todo, a expectativa, para 2010 é que o segmento responda por 25% dos negócios. O segmento está transformando a vida da empresa. Até então acostumada a vender aviões de US$ 30 milhões, US$ 40 milhões "de baciada" para companhias aéreas, a empresa está tendo que aprender a lidar com o consumidor final. "A aviação comercial é B2B (business to business), a executiva é B2C (business to client). Tivemos que criar estratégias completamente diferentes", explica Affonso. Com um produto de luxo nas mãos - os Phenom custam de US$ 2,98 milhões a US$ 6,6 milhões - a empresa entrou no universo do consumo. Já patrocinou competições de hipismo, fez exibições de maquetes de jatos na bolsa de Nova York e passou a publicar anúncios em revistas de consumo sofisticado.Com a massificação de sua base de clientes, a Embraer teve que montar ainda um novo negócios, também bastante rentável, de suporte aos usuários de jatos executivos. A empresa está montando uma rede de 45 centros de serviços autorizados - sete próprios e 38 autorizados - para atender aos clientes de seus jatos mundo a fora, com serviços de manutenção e venda de peças. "Fizemos um investimento de US$ 100 milhões na área de serviço e já temos 36 centros em funcionamento", explica Affonso.Hoje a carteira de clientes dos jatos executivos está em 700 unidades vendidas, com mais 200 opções de compras, para entrega até 2012. Quem quiser comprar um jato hoje, tem que esperar até 2013. "O resultado do programa está atendendo e superando a previsão de nosso plano de negócios", diz Affonso. "Apesar desse tempo de espera, continuamos vendendo." A partir de 2009, a produção do hangar de Gavião Peixoto deve entrar em plena capacidade - com a montagem final de 120 a 150 jatos. Dentro do projeto de ampliação do portfólio, a companhia estuda, possivelmente para este ano, o lançamento de dois novos jato, nas categorias médio e médio leve, tamanho que fica entre o Phenom 300 (de até 9 ocupantes) e o Legacy 600 (até 16 ocupantes). "Se os dois novos modelos forem lançados em 2008, as primeiras entregas serão em 2012", afirma Affonso.

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