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Produção de motos no 1º semestre de 2015 é a menor para o período desde 2005

Houve queda de 9,5% na produção em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a Abraciclo; só até maio, o setor já cortou 1.306 vagas de trabalho

Igor Gadelha, O Estado de S. Paulo

08 de julho de 2015 | 16h05

A produção brasileira de motocicletas no primeiro semestre de 2015 atingiu o menor nível dos últimos 10 anos, divulgou nesta quarta-feira a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo). De janeiro a junho, foram fabricadas 699.461 unidades, ante 772.943 nos seis primeiros meses do ano passado – uma queda de 9,5% em relação ao mesmo período de 2014. Este é o menor patamar desde os seis primeiros meses de 2005, quando tinham sido produzidas 609.989 motos. Só até o mês de maio, o setor já cortou 1.306 vagas de trabalho.

Apenas em junho, a produção de motocicletas totalizou 116.933 unidades, o equivalente a queda de 2% em relação às 119.280 fabricadas em maio. Na comparação anual, contudo, a quantidade representa alta de 50,3% ante as 77.788 produzidas no sexto mês do ano passado. Em junho de 2014, contudo, a produção foi prejudicada em razão da Copa do Mundo, quando os dias de produção duravam menos horas.

O balanço da Abraciclo mostra também que as vendas de motocicletas no atacado, isto é, das fábricas para as concessionáiras, tombaram 8% no primeiro semestre deste ano em relação aos seis primeiros meses de 2014. De janeiro a junho, as fábricas venderam para as concessionárias 659.063 unidades, ante 716.730 vendidas em igual período de 2014. Apenas em junho, as vendas no atacado totalizaram 101.025 motos, queda de 8,2% ante maio, porém alta de 25,9% ante junho de 2014.

Já as vendas no varejo, ou seja, aos consumidores finais, totalizaram 641.700 unidades no primeiro semestre de 2015, queda de 10,6% frente o mesmo intervalo de tempo do ano passado. Desse total, 10.689 eram importadas, o equivalente a 1,6% do total licenciado. Só em junho, foram emplacadas 101.102 motos, queda de 4,1% na variação mensal e de 2,7% na comparação anual. As motos importadas corresponderam a 1,5% do total (1.518 unidades).

Exportação. As exportações de motocicletas em junho totalizaram 5.476 unidades, alta de 49,9% ante as 3.653 exportadas em maio e avanço de 13,1% em relação às 4.840 vendidas para fora em junho do ano passado. Essa alta, contudo, não impediu que as vendas externas acumulassem retração de 59,8% no primeiro semestre de 2015 frente um ano atrás. De janeiro a junho, foram exportadas 18.241 unidades, ante 45.419 nos seis primeiros meses de 2014.

Cortes. O Polo Industrial de Manaus (PIM) duas rodas, onde está concentrada quase toda a produção nacional de motocicletas, encerrou maio com 16.622 trabalhadores, número inferior aos 17.928 funcionários que tinha no fim do ano passado.

A maior parte desses cortes se deu pela saída espontânea de trabalhadores, cujas vagas não foram repostas pelos fabricantes, explicou o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian. Segundo ele, nenhuma grande medida de corte de produção, como lay-off (suspensão temporária dos contratos) e licença remunerada, foi adotada até agora por associadas da entidade. Ele lembrou que, em julho, muitas fábricas deram férias coletivas aos trabalhadores, mas ponderou que a medida normalmente é adotada no período. 

De acordo com números da Abraciclo, a produtividade dos trabalhadores do PIM duas rodas, que já chegou a 104 unidades produzidas por empregado em 2010 e 2011, encerrou maio em 85 unidades, a mesma de todo o ano passado. "Isso mostra que as indústrias estão tentando manter o papel social de manter os empregos, apesar da crise", avaliou o presidente da Abraciclo, durante coletiva de imprensa. "Mas está muito difícil manter, a menos que o mercado tenha uma reação mais efetiva no segundo semestre", ponderou.

Apesar de os números no acumulado do semestre já mostrarem um cenário pior, a Abraciclo manteve suas projeções pra produção (-6,8%), vendas no atacado (-4,9%), emplacamentos (-4,5%) e exportações (-20,5%) em 2015 ante 2014, após revisão feita há cerca de dois meses. Fermanian ponderou, contudo, que, se a média de vendas diária de junho, que foi de 4.814 unidades, se repetir nos próximos meses, "provavelmente" os associados terão de revisar planos de produção, o que deverá afetar as projeções.

PPE. O presidente da Abraciclo avaliou que o Plano de Proteção ao Emprego (PPE), que permite redução de até 30% da jornada de trabalho e dos salários, é bem-vindo ao setor "em linhas gerais". "Mas, na prática, vai depender muito da leitura do setor se a queda da demanda é passageira. Se for temporária, o programa será benéfico. Se a leitura for de crise profunda, ao adotar o PPE só estaremos protelando uma situação ainda mais crítica para o futuro", disse.

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