Fábio Motta/Estadão
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Produção de petróleo no Brasil cresce mais do que a média mundial, diz Ineep

País produziu 11% a mais entre 2016 e 2019 e se tornou o maior produtor da América Latina; devido ao pré-sal, Brasil pode no futuro figurar entre as dez maiores reservas de petróleo do mundo

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2020 | 09h00

RIO - O Brasil se tornou o maior produtor de petróleo da América Latina. Nas Américas, está atrás apenas dos Estados Unidos e Canadá. De 2016 a 2019, a produção brasileira avançou 11%, enquanto a média mundial subiu 3,3%. "Os países do Oriente Médio estão perdendo importância e os países americanos, entre eles o Brasil, já são os principais fornecedores para os Estados Unidos", diz Rodrigo Leão, coordenador técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (Ineep).

A pesquisa da entidade demonstra que Brasil, Canadá e Colômbia se tornaram agentes importantes da nova geopolítica de petróleo. Segundo estatística da petrolífera bp, de 2016 a 2019, o petróleo produzido no Brasil saltou de 2,59 milhões de barris por dia (bpd) para 2,88 milhões de bpd. O crescimento do pré-sal foi ainda mais expressivo, de 70%, saindo de 1,02 milhão de bpd em 2016 para 1,73 milhão de bpd em 2019, de acordo com a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Segundo o Ineep, o pré-sal se destacou como umas das maiores reservas de petróleo do mundo. Em sua pesquisa, ele ressalta que estudo da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) projeta que o pré-sal vai contribuir com um acréscimo de mais de 60 bilhões de barris recuperáveis de petróleo, o que posicionaria o Brasil na lista das dez maiores reservas do mundo. Fora do Oriente Médio, essa reserva só fica atrás da Venezuela, Canadá e Rússia.

Além disso, de acordo com o Ineep, o pré-sal está entre as áreas com os menores custos de extração do mundo, próximo a Arábia Saudita, Rússia e Iraque. O campo de Búzios possui baixo risco e custo de extração do petróleo próximo a US$ 3 por barril.

Leão destaca que a Petrobrás e parceiros chegaram a gastar mais de U$ 100 milhões no primeiro poço (BM-S-10) antes de alcançar o pré-sal. Diante do alto custo exploratório, a Chevron desistiu do projeto e vendeu sua participação no bloco. Mesmo não encontrando petróleo nesse poço, a estatal brasileira apostou na continuidade do projeto e perfurou um segundo poço na área de Tupi (BM-S-11), onde encontrou enormes reservas de petróleo. Depois disso, novos poços foram perfurados com êxito.

"Isso permitiu ao Brasil, nos últimos anos, num contexto em que o País aumentou suas importações de derivados de petróleo, se tornar um exportador líquido de petróleo. De acordo com a ANP, entre 2016 e 2019, as exportações brasileiras de petróleo subiram de 0,84 mb/d para 1,23 mb/d. Com efeito, a participação das exportações no total produzido saltou de 32,2% em 2016 para 42,8% em 2019", afirma o pesquisador.

Ele destaca ainda que a ascensão de Brasil, Canadá e Colômbia, atualmente aliados dos Estados Unidos, tem possibilitado a formação de um mercado regional de petróleo capaz de reduzir a dependência americana das importações da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). "Ao mesmo tempo, a demanda dos países árabes foi reduzida, e, com isso, as Américas têm elevado sua capacidade de influenciar a trajetória dos preços e do ritmo da produção global, aumentando as tensões com os grandes produtores tradicionais", ressalta Leão.

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