Produção de petróleo no Brasil pode dobrar nos próximos anos

Produção pode passar de 2 milhões para 4 milhões de barris por dia. Petrobras quer ampliar fronteiras marítimas

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

30 de junho de 2008 | 19h17

A produção diária de petróleo no Brasil irá dobrar nos próximos anos. A estimativa foi apresentada nesta segunda-feira, 30, pela Petrobras durante o Congresso Mundial de Petróleo que reúne, em Madri, os principais líderes do setor e governos de todo o mundo. Funcionários da Petrobras ainda contaram que o Itamaraty e a Marinha estão em um trabalho intenso para convencer a Organização das Nações Unidas (ONU) a expandir a fronteira marítima do Brasil, em pleno momento em que todos os países partem em busca de novos campos de petróleo.   Veja também:  Preço do petróleo em alta  Petróleo bate recorde com queda do dólar e tensões na Nigéria Reservas no Brasil vão demorar a produzir, dizem Shell e Repsol    Segundo Mario Carminatti, gerente geral de exploração das bacias da costa sul da Petrobras, a estimativa é de que, com as novas descobertas, a produção brasileira de barris passe dos atuais 2 milhões para cerca de 3,5 milhões até 2015. Mas, assim que a produção no pré-sal for realizada, o volume rapidamente passaria para 4 milhões.   "Na prática, vamos dobrar a produção e aumentar de forma significativa nossas reservas", afirmou Carminatti. Hoje, essas reservas são de 13,9 bilhões de barris. "Isso vai aumentar de forma substancial. Só não posso dizer quanto porque não sei. Mas, num momento em que o petróleo se transforma no centro do debate, não é má notícia para um País ter tais perspectivas", afirmou.   Ele explicou que o plano de avaliação do Carioca deverá estar concluído em 2012. "Essa será a fase em que avaliaremos se vale à pena investir e se será viável economicamente", afirmou Carminatti. Já a Tupi será avaliada até dezembro de 2010.   Mudança de regras   A Petrobras ainda revelou que o Itamaraty e a Marinha estão fazendo esforços diplomáticos para convencer a Organização das Nações Unidas (ONU) a ampliar a fronteira marítima do Brasil. Pelas regras das Nações Unidas, o governo tem o direito soberano de explorar 200 milhas. Mas quer empurrar a fronteira para 350 milhas.   Essa seria uma iniciativa que data já dos anos 70. Mas que recentemente ganhou novo impulso. A Petrobras se recusa a dizer se a descoberta de novos campos em alto mar tem relação com a pressão do governo pela expansão das milhas. "Não sabemos o que existe para lá (da fronteira)", afirmou Carminatti.   Mas a empresa confirmou que ajudou a Marinha a mapear as regiões. A Petrobras também conta que está "constantemente" avaliando a existência de campos em toda a costa do Brasil, "do Amapá ao Sul". Hoje, as novas descobertas de campos de petróleo não ficam tão distantes do limite que o Brasil pode explorar no Oceano Atlântico. A diferença entre os campos e a fronteira seria de 60 quilômetros.

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