Produção de petróleo no Brasil sofre para manter nível de 2006

AIE informa que produção de setembro ficou 50 mil barris diários abaixo da previsão e aponta atraso em projetos

JOÃO CAMINOTO, Agencia Estado

14 de dezembro de 2007 | 09h58

A Agência Internacional de Energia (AIE) informou nesta sextas-feira, 14, que a produção de petróleo do Brasil, após se aproximar dos 1,8 milhão de barris diários no quarto trimestre de 2006, tem "sofrido para manter tais níveis em boa parte de 2007".Segundo a agência, paralisações planejadas ou não em unidades de produção existentes, aliadas aos atrasos em novos projetos, reduziram a produção. Por isso, a agência disse que a produção de setembro ficou 50 mil barris diários abaixo de sua previsão, em 1,73 milhão de barris. Dados preliminares de outubro mostram a produção "em marcha lenta" com cerca de 1,75 milhão de barris diários."Entretanto, espera-se que um crescimento renovado se materialize após o início das operações em novembro da unidade P-52 no campo de Roncador e da nova embarcação de produção e estocagem no campo Golfinho", disse a AIE. "Juntamente com a recém iniciada instalação P-54 em Roncador, essas unidades, combinadas, poderão gerar um crescimento de 400 mil barris diários na produção em 2008". Com isso, a entidade prevê que a produção brasileira no segundo semestre de 2008 registrará uma média de 2,1 milhões de barris. "Embora, claramente, uma derrapada desse programa ambicioso de crescimento continua sendo uma possibilidade caso os atrasos de 2007 sejam repetidos", alertou.        Consumo  A AIE elevou em 15 mil barris diários sua estimativa de crescimento do consumo de petróleo do Brasil tanto para 2007 como para 2008. Com isso, a demanda pela commodity no País vai crescer 3,7% este ano, para 2,3 milhões de barris diários, e 2,6% em 2008, para 2,4 milhões de barris diários. Para calcular a previsão do próximo ano, a agência assumiu que o gás natural vai substituir uma parte da demanda por petróleo nas usinas termoelétricas.Ao justificar a revisão desses números, a AIE disse que ao longo dos últimos meses a divulgação de dados sobre o setor no Brasil tem sido "de certa maneira errática", pois a Agência Nacional do Petróleo (ANP) suspendeu a divulgação dos números relacionados ao consumo desde o início de 2007 devido a problemas técnicos.     Suporte a contratos   Os futuros do petróleo operam sem direção definida, recebendo suporte do relatório mensal da AIE, mas com os ganhos limitados pela alta do dólar. O vencimento do contrato do Brent para janeiro nesta sexta pode acentuar a volatilidade nos preços.   O relatório da AIE deu suporte aos contratos ao prever aumento da demanda global em 2008 e redução nos estoques dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A agência elevou sua projeção para crescimento de demanda global de 2,3% para 2,5% para o ano que vem. A AIE indicou também que os estoques de petróleo mantidos pelos países da OCDE diminuíram cerca de 100 milhões de barris contra os níveis do ano passado.   "Ontem (quinta) foi uma reação à alta do dólar e uma correção das máximas (de quarta-feira)", disse um trader londrino. "Hoje nós temos notícias positivas da AIE para contrabalançar". O mercado não reagiu ao relatório mensal da Opep, que disse que o cenário econômico global para 2008 "piorou", mas manteve suas previsões de crescimento da demanda para o ano que vem praticamente inalteradas.   No entanto, a alta do petróleo foi limitada pelo avanço do dólar. Um dólar mais barato é visto como fator de suporte ao petróleo e contribuiu recentemente para levar os contratos as máximas históricas. A moeda norte-americana continua a receber suporte dos indicadores da última quinta, depois que dados nos EUA mostraram alta de 1,2% nas vendas no varejo em novembro e que o índice de preços ao produtor (PPI) saltou 3,2% no mesmo mês, o maior aumento em 34 anos. Nesta sexta, a moeda sobe também com a expectativa diante da divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI).     Às 11h11 (de Brasília), o WTI para janeiro caía 0,05% para US$ 92,20 na Nymex eletrônica. Na ICE, o Brent com o mesmo vencimento avançava 0,79% para US$ 92,85 o barril, enquanto o contrato para fevereiro ganhava 0,77% para US$ 92,53 o barril. As informações são da Dow Jones.   (Com Carolina Ruhman)

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