Roosevelt Cassio/Reuters
Roosevelt Cassio/Reuters

Produção de veículos cai 10,1% em março em comparação com 2018, diz Anfavea

De fevereiro para março, também houve queda, de 6,4%; queda no volume se deve a exportações, greve e enchentes, afirmou a associação

André Ítalo Rocha, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2019 | 12h59

SÃO PAULO - A produção de veículos no Brasil caiu 10,1% em março ante igual mês do ano passado, informou nesta quinta-feira, 4, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Foram 240,5 mil unidades produzidas, entre automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. O volume, se comparado a fevereiro, também mostra queda, de 6,4%.

Com o resultado de março, o primeiro trimestre terminou com a produção de 695,7 mil veículos, retração de 0,6% em relação a igual período do ano passado.

Os números também foram negativos no emprego. As montadoras fecharam 987 vagas de trabalho no terceiro mês do ano. Em 12 meses, são 1.241 empregos a menos. O setor terminou março com um total de 129.980 funcionários, número 0,9% inferior ao registrado em março do ano passado.

A Anfavea também publicou dados de vendas e confirmou resultados divulgados ontem pela Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Foram 209,1 mil unidades vendidas em maço, alta de 0,9% em relação a igual mês do ano passado e avanço de 5,3% na comparação com fevereiro. No trimestre, as vendas somaram 607,6 mil unidades, expansão de 11,4% ante o primeiro trimestre de 2018.

Queda se deve a exportações, greve e enchentes

O presidente da Anfavea, Antonio Megale, afirmou em coletiva de imprensa nesta quinta que a queda na produção de veículos em março se deve ao recuo das exportações, à greve que atingiu uma das montadoras (Ford, em São Bernardo do Campo) e às enchentes que interromperam a operação de outra empresa (Mercedes-Benz, também em São Bernardo).

O recuo das exportações, no entanto, tem sido o principal limitador da produção desde o início do ano, em razão da crise da Argentina, principal destino das exportações de veículos brasileiros. "O primeiro semestre do mercado argentino está absolutamente comprometido. Esperamos que comece a melhorar depois disso", afirmou Megale.

A retração das exportações, inclusive, neutralizou o aumento das vendas no mercado doméstico no primeiro trimestre. Enquanto as vendas internas cresceram 11,4%, as exportações caíram 42%. Com isso, a produção no trimestre está praticamente estável em relação ao primeiro trimestre do ano passado, com queda de 0,6%.

Megale anunciou que a Anfavea terá de revisar para baixo a sua previsão para exportações em 2019. Por enquanto, a associação prevê queda de 6,2%, para 590 mil unidades.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.