Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Produção de veículos cai 10% em janeiro ante um ano antes

Foram 196,8 mil unidades produzidas no primeiro mês do ano; vendas avançam 10,2% no mesmo mês

André Ítalo Rocha, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2019 | 12h51

A produção de veículos no País começou 2019 com queda de 10% em janeiro ante igual mês do ano passado, mostra balanço divulgado nesta quarta-feira, 6, pela Anfavea, associação que reúne as montadoras instaladas no Brasil.

Foram 196,8 mil unidades produzidas no primeiro mês do ano, em soma que considera os segmentos de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. O volume, se comparado a dezembro do ano passado, representa alta de 10,9%.

Entre os veículos leves (automóveis e comerciais leves), as fábricas produziram 188 mil unidades em janeiro, baixa de 10,5% na comparação com igual mês do ano passado. Em relação a dezembro, houve alta de 11,3%.

No segmento de caminhões, a produção somou 6,8 mil unidades no primeiro mês de 2019, expansão de 1,6% sobre o volume de janeiro de 2019, mas baixa de 7,7% ante o resultado de dezembro.

No caso dos ônibus, as montadoras alcançaram 1,9 mil unidades produzidas em janeiro, queda de 1,3% em relação a igual mês de 2018. O volume, se comparado a dezembro, porém, representa alta de 73,5%.

A Anfavea divulgou também que a quantidade de pessoas empregadas ficou praticamente estável em janeiro ante dezembro. Em 12 meses, são 1502 vagas criadas. Hoje, o setor conta com 130.453 funcionários, alta de 1,2% ante um ano atrás.

O presidente da Anfavea, Antonio Megale, afirmou que a queda de 10% da produção de veículos se deve à retração das exportações, pressionadas pela crise da Argentina, principal comprador de carros brasileiros. "Se a exportação não tivesse caído tanto, teríamos produzido mais", disse o executivo.

Em janeiro, a venda de veículos no Brasil cresceu 10% em relação a igual mês do ano passado, para 199,8 mil unidades. Foram 18 mil veículos a mais. Em exportação, houve recuo de 46% na mesma comparação, para 25 mil unidades. Isso representa 21 mil exportações a menos.

Segundo Megale, a expressiva retração nas exportações é preocupante porque o mês de janeiro costuma ser aquecido em vendas na Argentina. "Lá é o contrário do Brasil. Aqui, dezembro costuma ser bom e janeiro costuma ser ruim. Na Argentina, dezembro costuma ser ruim e janeiro costuma ser bom. Então, se tivemos essa redução em janeiro, isso mostra que o número foi fraco", disse.

O presidente da Anfavea, no entanto, acredita que a Argentina começa a apresentar os primeiros sinais de estabilização. "Em janeiro, os juros e a inflação ficaram relativamente estáveis", disse. "Então, acreditamos que a situação deve começar a melhorar nos próximos meses", acrescentou. "Mas, recuperação só no segundo semestre", ponderou.

Antonio Megale evitou comentar a situação da GM, que ameaçou deixar de produzir no a Brasil caso não voltasse a ter lucro em 2019, mas ressaltou que o período entre 2013 e 2016, marcado por fortes quedas na venda de veículos no País, "impactou muito" a rentabilidade das empresas.

No entanto, Megale disse que, a partir de uma visão do setor como um todo, a percepção é de "aposta no Brasil". "Poucos mercados do mundo crescem como o nosso, com taxas de dois dígitos", disse. "O mercado brasileiro tem muito potencial e pode chegar a 4 milhões de unidades antes da metade da próxima década", acrescentou. No ano passado, as vendas somaram 2,56 milhões.

A GM, líder de mercado no Brasil, afirma que está registrando prejuízo há três anos, embora não divulgue os números. Para melhorar os resultados, busca reduzir custos trabalhistas e negocia com o governo do Estado de São Paulo a antecipação de créditos do ICMS.

Para Megale, a questão do ICMS é um tema que precisa ser resolvido e para o qual a Anfavea tem discutido algumas alternativas com o governo, para tornar a devolução mais rápida e mais flexível. 

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