Márcio Fernandes/Estadão
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Produção de veículos cresce, mas setor reduz mão de obra

Indústria teve o melhor resultado mensal em 14 meses, com produção de 288,5 mil veículos em outubro

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2019 | 21h10

A produção de veículos em outubro somou 288,5 mil unidades, o melhor desempenho mensal para o setor em 14 meses. No ano foram fabricados até agora 2,54 milhões de unidades, 3,6% a mais que em igual período do ano passado e o melhor volume acumulado para o período desde 2014. Mesmo assim, o setor fechou 3,65 mil postos de trabalho em um ano, dos quais cerca de 1,8 mil eram funcionários da Ford, que fechou a fábrica do ABC paulista no fim de outubro.

Também houve o encerramento do terceiro turno de trabalho na fábrica da Toyota em Sorocaba (SP), resultando em 840 demissões, e ajustes nas linhas de produção de várias empresas em razão da queda das exportações para a Argentina de 52% até agora no comparativo com 2018.

Em relação a outubro do ano passado, a produção de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus cresceu 9,6%, segundo dados divulgados nesta quarta-feira, 6, pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Na comparação com setembro, houve alta de 16,6% pelo fato de ter dois dias úteis a mais e também pela formação de estoques para abastecer o mercado em dezembro, quando a maioria das fábricas coloca os funcionários em férias coletivas.

A previsão de algumas montadoras é de período maior de folgas este ano, caso por exemplo da Volkswagen, em que parte dos trabalhadores ficará em casa por um mês e ainda há possibilidade de a empresa colocar cerca de 1,4 mil funcionários em lay-off (suspensão de contrato de trabalho) por até seis meses a partir de janeiro. A empresa alega ajustes na linha para um novo produto.

Bom senso

De janeiro a outubro, as exportações caíram 34,7%, para 367,4 mil unidades. Só a Argentina, maior mercado automotivo do Brasil, deixou de importar neste período mil veículos quando comparado ao volume do ano passado. “Houve melhora nas exportações para o México, Colômbia e Peru, mas não o suficiente para compensar a queda da Argentina, que foi muito forte”, diz o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes.

O executivo afirma que o governo brasileiro “tem de encontrar um caminho de bom senso, sem ideologias” na relação com a Argentina, para evitar problemas com um importante parceiro comercial do Brasil, que passa por situação de crise mas em algum momento vai se recuperar. O presidente Jair Bolsonaro tem feito críticas ao presidente argentino recém-eleito, Alberto Fernández.

Para o mercado brasileiro, a Anfavea vê cenário de continuidade da melhora em 2020, mas só fará projeções de volumes no início do ano. Segundo ele, o mercado financeiro e os investidores já levam em conta que o risco Brasil está caindo, o que significa ambiente mais propício para negócios. Moraes ressalta ainda que inflação e juros seguem em queda e bancos demonstram interesse em liberar mais crédito para financiamentos.

Plano econômico

O plano econômico apresentando na terça-feira, 5, pelo ministro Paulo Guedes “está na direção correta”, diz Moraes. Ele diz concordar inclusive com a proposta de revisão de benefícios fiscais a cada quatro anos, mas defende a necessidade de alguns incentivos, como para carros elétricos – a exemplo do que fazem outros países, como a Alemanha.

O presidente da Anfavea ressalta ainda ser preciso eliminar ineficiências, saldos credores não devolvidos e aberrações do sistema tributário. O setor, considerado um dos que mais recebeu incentivos fiscais, tem cerca de R$ 13 bilhões acumulados em créditos de ICMS e IPI que não foram devolvidos.

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