Taba Benedicto/Estadão
Em novembro, a produção das montadoras atingiu 238,2 mil unidades, entre carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus.  Taba Benedicto/Estadão

Produção de veículos em novembro é a maior em 13 meses

Em novembro, foram fabricados no País 238,2 mil unidades, uma alta de 0,7% em relação a outubro e de 4,7% na comparação com novembro do ano passado

Eduardo Laguna, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2020 | 12h04

A produção das montadoras em novembro atingiu 238,2 mil unidades, entre carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus. É um crescimento de 0,7% em relação a outubro e o melhor resultado em 13 meses, de acordo com a Anfavea, a entidade que representa a indústria nacional de veículos. Mesmo em relação a novembro do ano passado o número é positivo: alta de 4,7%.

Desde outubro do ano passado, quando foram montadas 288,5 mil unidades, as montadoras não registravam volume tão alto. Esta é também a primeira alta da produção na comparação anual em 13 meses.

O setor ainda tem, porém, limitações de oferta porque, além da insuficiência de alguns insumos na cadeia, as montadoras aguardam por sinais mais claros de que a recuperação é consistente antes de reativar turnos fechados na pandemia.

De janeiro a novembro, a produção de 1,8 milhão de veículos significou um recuo de 35% em comparação ao mesmo período de 2019. Na apresentação do desempenho do mês passado, o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, informou que os estoques nos pátios de fábricas e concessionárias, suficientes para apenas 16 dias de venda, estão no nível mais baixo desde março de 2004.

Por segmento, foram fabricados em novembro 225 mil carros de passeio e utilitários leves, como picapes e vans, uma alta de 0,6% frente a outubro. Ante novembro de 2019, houve crescimento de 3,9% da atividade nas linhas de montagem de carros.

A produção de caminhões, de 11,5 mil unidades no mês passado, subiu 5,2% no comparativo com outubro e 30,9% em relação ao mesmo mês do ano passado. Já a produção de ônibus, de 1,7 mil unidades em novembro, teve um recuo de 5,6% em relação ao número de outubro. Na comparação com novembro de 2019, a produção de coletivos caiu 16,7%.

Vendas também em alta

As vendas de veículos novos no País tiveram em novembro o maior volume do ano, com 225 mil unidades emplacadas, uma alta de 4,6% sobre outubro, recorde anterior de 2020. Na comparação com o mesmo período de 2019, contudo, novembro mostrou redução de 7,1% nas vendas de carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus.

No acumulado de janeiro a novembro, a queda foi de 28,1%, com 1,81 milhão de veículos vendidos nos onze meses, conforme o balanço da Anfavea.

No segmento de carros de passeio e utilitários leves, as vendas do mês passado subiram 4,3% em relação a outubro e caíram 7,4% na comparação com novembro de 2019. No total, 214,5 mil carros saíram das concessionárias no penúltimo mês deste ano.

As vendas de caminhões somaram 9,1 mil unidades, com altas de 15,6% na comparação com outubro e de 0,9% em relação a novembro de 2019. Os emplacamentos de ônibus, de 1,4 mil unidades no mês passado, recuaram 3,8% frente a outubro e 16,6% no comparativo anual.

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Risco de paralisação é muito alto por falta de insumos, diz Anfavea

Luiz Carlos Moraes, presidente da associação que representa as montadoras, alerta para o 'risco imediato' de paralisação de fábricas, que pode acontecer ainda nesta semana, por falta de insumos como aço, borracha, pneus e materiais plásticos

Eduardo Laguna, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2020 | 15h50

Diante da falta de peças nas linhas de montagem, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) alertou nesta segunda-feira, 7, para o "risco imediato" de paralisação de fábricas de veículos. Conforme a direção da associação que representa as montadoras instaladas no País, existe a possibilidade de linhas pararem nesta semana, afetando o desempenho de fim de ano do setor.

"O risco de paralisação é muito alto agora para dezembro, inclusive, talvez, para esta semana", afirmou o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, que considerou a situação como preocupante. "Esse é um risco imediato, não é teórico", acrescentou o dirigente da Anfavea, citando, em entrevista coletiva, problemas de abastecimento em insumos como aço, borracha, pneus e materiais plásticos.

Moraes, que no mês passado já tinha relatado a ocorrência de "microparadas" na cadeia de suprimentos, informou que as montadoras seguem dando apoio a seus fornecedores, o que inclui, além de ajuda logística, a compra de matérias-primas que estão em falta e que também tiveram aumento de preços.

Ele atribuiu o quadro de desabastecimento a um descompasso entre a retomada rápida da produção industrial e a capacidade de abastecimento dos fornecedores. Esse desequilíbrio, na avaliação dele, pode ser corrigido em questão de um ou dois meses, mas sem evitar, porém, um impacto na produção na reta final do ano.

Além da falta de sincronia da produção entre os elos da cadeia, Moraes citou a interrupção do abastecimento de insumos importados em razão de contaminações por covid-19 no exterior. Como exemplo, apontou um fornecedor na Inglaterra que teve a produção afetada pela segunda onda do vírus na Europa.

"A indústria está tentando mitigar o risco (de paralisação), mas milagre a gente não faz. Se faltar peça, a consequência será a dificuldade no faturamento de veículos. Existe o risco forte e pode acontecer em dezembro", assinalou o executivo.

Moraes também voltou a ressaltar o aumento de custos na indústria automotiva em razão de reajustes de insumos, especialmente o aço. "O aumento de aço vai na veia. É quase impossível não repassar esse custo [...] As siderúrgicas lançaram um bumerangue que pode voltar para elas na forma de queda de volumes", comentou o presidente da Anfavea, referindo-se ao impacto dos preços mais altos sobre a demanda por automóveis.

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