Washington Alves/Reuters
Washington Alves/Reuters

Produção de veículos no Brasil cai 2% em julho, no pior resultado para o mês em 18 anos

A falta de componentes eletrônicos voltou a provocar paradas nas linhas de montagem; resultado do mês passado só fica acima do registrado em abril e junho do ano passado, quando a covid-19 chegou a fechar as fábricas

Eduardo Laguna, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2021 | 10h36
Atualizado 06 de agosto de 2021 | 11h59

Comprometida pela falta de componentes eletrônicos nas linhas de montagem, a produção de veículos - um total de 163,6 mil unidades no mês passado - caiu 2% em julho na comparação com junho, informou nesta sexta-feira, 6, a Anfavea, entidade que representa as montadoras. O resultado engloba carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus

Foi o julho com produção mais baixa em 18 anos. Desde o início da pandemia, em meses consecutivos, a produção do mês passado só fica acima dos volumes fabricados entre abril e junho do ano passado, quando a chegada da covid-19 parou toda a indústria automotiva.

Frente a julho de 2020, houve queda de 4,2% na produção total. Os sete primeiros meses do ano, quando foram fabricados 1,31 milhão de unidades, terminaram com crescimento de 45,8% frente ao acumulado em igual período do ano passado.

A falta de peças, mais grave nos componentes eletrônicos, dada a escassez global de chips, voltou a forçar montadoras a suspender a produção no mês passado. Neste momento, as paradas continuam em fábricas da Renault e da General Motors (GM), assim como, parcialmente, em linhas da Fiat e da Volkswagen.

Como consequência, faltam modelos nas concessionárias. Embora exista procura de consumidores, as vendas de veículos caíram 3,8% de junho para julho em função de limitação na oferta.

O volume de veículos em estoque nos pátios de montadoras e concessionárias caiu de 93 mil para 85,1 mil unidades de junho para julho. O total é hoje suficiente para 15 dias de venda, menos do que os 16 dias de um mês atrás.  Ao repetir fevereiro e abril, o estoque, no critério de tempo de giro, está novamente no nível mais baixo em 20 anos .

“Não vejo, em curto espaço de tempo, alteração substancial dos estoques”, afirmou o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes .  A expectativa é que o abastecimento de semicondutores não seja normalizado antes do fim do primeiro semestre de 2022.

Demanda aquecida

No total, 175,5 mil unidades foram vendidas em julho, volume que praticamente repete, com leve alta de 0,6%, a quantidade do mesmo mês do ano passado, quando o mercado ainda sofria o impacto da chegada da pandemia. De janeiro a julho, o volume vendido (1,25 milhão de veículos) foi 27,1% superior ao acumulado nos sete primeiros meses de 2020.

Para a Anfavea,  a perda de volumes do setor nos últimos dois meses não está ligada a possíveis sinais de desaceleração da atividade econômica. “O problema hoje são os semicondutores. Demanda tem, o desafio é como atender a demanda no curto prazo”, disse Moraes. "Temos fila, clientes esperando produtos", afirmou.

Do lado das exportações, que têm a Argentina como principal destino, o balanço também é negativo no mês, com queda de 29,1% na comparação com junho e de 18,4% na variação interanual. As montadoras embarcaram 23,8 mil veículos no mês passado, levando o total acumulado desde janeiro para 223,9 mil unidades: crescimento de 50,7%.

O balanço da Anfavea mostra ainda que a indústria de veículos abriu oito vagas de trabalho em julho - ou seja, estabilidade na ocupação -, fechando o mês com 102,7 mil pessoas empregadas.

A exemplo do que acontece desde o balanço relativo a janeiro, a Anfavea segue sem divulgar os números dos fabricantes de tratores e máquinas de construção, também sócios da entidade. O motivo: revisão de toda a série estatística após o desligamento da John Deere da associação. 

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