Roosevelt Cassio/Reuters
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Produção de carros no semestre cresce 13,6% e atinge maior volume desde 2014

Suspensão de encomendas da Argentina e do México, no entanto, fez Anfavea cortar previsão de crescimento para o ano de 13,2% para 11,9%; setor, que estimava alta de 5% para exportações, agora espera repetir o resultado de 2017, de 766 mil veículos

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2018 | 11h10
Atualizado 06 Julho 2018 | 23h16

A produção de veículos no primeiro semestre aumentou 13,6% em relação a igual intervalo do ano passado e totalizou 1,43 milhão de unidades, o maior volume para o período desde 2014. O setor caminhava para um crescimento esperado de 13,2% neste ano, mas, com a suspensão de encomendas da Argentina e do México nas últimas semanas, a alta foi revista para 11,9%. Em números, serão cerca de 34 mil carros a menos.

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“Ainda assim teremos um número que não é desprezível, de 3 milhões de unidades produzidas”, diz o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale.

O setor projetava alta de 5% nas exportações, mas agora espera repetir o resultado recorde de 2017, de 766 mil veículos. As vendas para o México caíram 54% no semestre. Para a Argentina, que vinha crescendo na casa dos dois dígitos, a alta está em 4%. O país vizinho responde por mais de 70% das vendas externas brasileiras.

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Em junho, as empresas conseguiram recuperar parte da produção perdida no mês anterior com a greve dos caminhoneiros, calculada entre 70 mil e 80 mil unidades. Foram fabricados 256,3 mil veículos, o melhor resultado para o mês desde 2013. Em comparação a maio e a junho de 2017, a alta foi de 21%.

Já as vendas ficaram estáveis em relação a maio, que já tinha sido um mês fraco por causa da greve, que interrompeu a entrega de peças às fábricas e de carros às lojas. Os 202 mil veículos vendidos foram 3,6% acima do volume de junho do ano passado. No ano, a soma é de 1,16 milhão de unidades, 14,4% a mais que em 2017, mas a tendência é de desaceleração nesta segunda metade do ano, fechando com alta de 11,7%, ou 2,5 milhões de unidades

“Vínhamos num ritmo bom, mas a greve dos caminhoneiros teve impacto na confiança dos consumidores e, no caso de junho, teve também a Copa”, justifica Megale.

Com a produção em alta e vendas e exportações em desaceleração, o setor encerrou o mês passado com 240,6 mil veículos em estoque, suficientes para 36 dias de vendas, ante 31 dias em maio. Megale afirma que “isso não nos preocupa porque, sazonalmente, julho e agosto são meses bons de vendas e estaremos preparados”.

Empregos. Após seis meses de alta no número de empregos, o setor encerrou junho com 131,5 mil funcionários, 890 a menos do que no mês anterior. Segundo Megale, uma das empresas associadas abriu programa de demissão voluntária (PDV) e obteve essas adesões.

O executivo ressalta que, por outro lado, os 929 funcionários que operavam com jornadas e salários reduzidos – conforme prevê o Programa Seguro-Emprego (PSE) – voltaram a trabalhar em jornada normal. Ainda há 758 trabalhadores em lay-off (com contratos suspensos).

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