Roosevelt Cassio/Reuters
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Indústria automobilística vai deixar de exportar 236 mil veículos para a Argentina neste ano

Nem o recente anúncio do governo do presidente argentino Mauricio Macri, de que haverá incentivos para a compra de carros, deve mudar o quadro

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2019 | 10h58

A indústria automobilística brasileira vai deixar de exportar este ano 236 mil veículos para a Argentina este ano em razão da crise econômica no país vizinho. A perda, calculada com base nas entregas do ano passado, levará o setor a reduzir projeções feitas em janeiro para venda externa e produção. Só no primeiro semestre, o Brasil deve dexiar de vender para os argentinos 120 mil veículos.

O setor previa produção de 2,88 milhões de veículos, 9% a mais que em 2018. As exportações já seriam 6,2% inferiores ao resultado do ano passado, com 590 mil unidades. Os dois números serão revistos para baixo no próximo mês.

“O impacto da Argentina (nos negócios) é maior do que imaginávamos”, diz o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Carlos Moraes.

Segundo ele, em 2018 foram exportados, em média, 45 mil veículos ao mês para a Argentina. Hoje é metade disso. De janeiro a maio de 2018 o país recebeu 76% das exportações brasileiras de veículos, fatia que caiu para 59% neste ano.

Nem o recente anúncio do governo de Mauricio Macri, de que haverá incentivos para a compra de carros, deve mudar o quadro. “Qualquer melhora lá pode ajudar aqui, mas não sabemos ainda se será apenas uma medida pontual e quanto tempo vai durar”, afirma Moraes.

Principalmente em razão do recuo de vendas para a Argentina, a Toyota vai fechar  340 postos de trabalho na fábrica de Sorocaba. A Volkswagen, maior exportadora brasileira de veículos, dará férias e folgas de um mês aos funcionários da produção de São Bernardo do Campo (SP), a partir do dia 24, e já adotou o expediente na filial de Taubaté (SP) por 20 dias. A Nissan suspendeu plano de criar um terceiro turno de trabalho em Resende (RJ).

Empregos

Nos cinco meses do ano a exportação total de veículos cai 42% na comparação com 2018, para 181,6 mil unidades. A produção cresceu 5,3%, somando  1,241 milhão de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Já as vendas tiveram alta de 12,5%, totalizando 1,084 milhão de unidades.

Só no mês de maio foram produzidos 275,7 mil veículos, um crescimento de 30% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando a greve dos caminhoneiros paralisou as fábricas por causa da falta de peças.

As exportações caíram 32,7%, somando 915,1 mil unidades, enquanto as vendas cresceram 21,6%, para 245,4 mil unidades.

Em um ano, o setor fechou 2,4 mil postos de trabalho e emprega 130 mil pessoas. Em maio de 2018 eram 132,4 mil trabalhadores nas fábricas de veículos e de tratores.

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