Tiago Queiroz
Tiago Queiroz

Produção de veículos tem alta de 2,3% em 2019, no melhor resultado desde 2014

Desde 2018 o avanço tem sido impulsionado pelo mercado interno; com crise na Argentina, exportações caíram 31,9%

André Ítalo Rocha, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2020 | 12h12

A produção de veículos cresceu 2,3% em 2019, informou nesta terça-feira, 7, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Foram 2,94 milhões de unidades fabricadas, em soma que considera os segmentos de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. É o maior volume anual desde 2014, primeiro ano antes da crise econômica, quando as montadoras produziram 3,15 milhões de veículos.

É o terceiro ano seguido de crescimento. O avanço, desde 2018, tem sido impulsionado apenas pelo aumento da demanda no mercado interno. As vendas para o consumidor brasileiro cresceram 8,6% em 2019, para 2,79 milhões de unidades. A maior parte da expansão do mercado foi puxada pelo cliente pessoa jurídica, como locadoras, produtores rurais e frotistas em geral, que compram diretamente das montadoras, sem passar pelas concessionárias e, com isso, conseguem descontos mais vantajosos.

O avanço da produção só não foi maior por causa da queda das vendas para outros países, que ocorreu pelo segundo ano seguido. Com a crise da Argentina, principal destinos das exportações brasileiras de veículos, o volume vendido ao exterior caiu 31,9% em 2019, para 428,2 mil unidades, o menor nível desde 2015, quando as exportações somaram 416,9 mil unidades.

Mesmo com o crescimento no volume produzido em 2019, as montadoras mais demitiram do que contrataram no ano passado. Foram 4.013 vagas de emprego fechadas, a maior parte em razão do fim da operação da fábrica da Ford em São Bernardo do Campo. Só em dezembro, foram eliminados 842 postos de trabalho. O setor fechou o ano com 125.596 funcionários espalhados pelo Brasil.

Dezembro

No último mês do ano, as fábricas produziram 170,5 mil unidades, queda de 3,9% em relação a igual mês de 2018 e de 25% na comparação com novembro. No mercado interno, foram comercializadas 262,6 mil unidades, aumento de 12% ante igual mês do ano anterior e de 8,4% sobre o resultado de novembro. Na exportação, foram 29 mil vendas, baixa de 8,5% na comparação com dezembro de 2018 e de 8,6% em relação a novembro.

Projeção

A Anfavea estima que a produção de veículos deve alcançar 3,16 milhões de unidades em 2020, alta de 7,3% em relação ao resultado de 2019. A estimativa é que vendas para o consumidor brasileiro aumentem 9,4%, para 3,05 milhões; as exportações devem ter recuo de 11% nas exportações, para 381 mil unidades.

Para a associação, a demanda interna será puxada pelo crescimento do PIB, estimado em 2,5%, pela inflação sob controle e pelo juros básicos no menor nível da história, que favorecem o financiamento de veículos. "Ainda há mais espaço para a taxa do CDC cair", disse o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes.

Em relação ao mercado externo, Moraes ressalta que a Argentina, principal destino das exportações de veículos, não apresenta sinais de recuperação no curto prazo. "O novo governo ainda está começando e não há nenhuma novidade que indique uma retomada em 2020", afirmou.

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