Roosevelt Cassio/Reuters
Roosevelt Cassio/Reuters

Produção de veículos tem primeira queda em novembro após dois anos, aponta Anfavea

Fabricação de automóveis registra revés de 1,6% no penúltimo mês de 2018, na comparação com o ano anterior; crise na argentina faz Anfavea reduzir expectativas de exportação

André Ítalo Rocha, O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2018 | 11h59
Atualizado 06 Dezembro 2018 | 12h33

A produção de veículos automotores no Brasil voltou a cair no mês de novembro. Foram 245,1 mil unidades fabricadas, queda de 1,6% em relação a igual mês do ano passado e de 6,8% sobre o resultado de outubro, mostram dados divulgados nesta quinta-feira, 6, pela Anfavea, associação que reúne as montadoras instaladas no País. O balanço envolve os segmentos de automóveis (comerciais leves), caminhões e também ônibus.

A última retração ocorrida na comparação ano a ano havia sido em setembro, de 6,3%. Em outubro, houve crescimento de 5,2%. O recuo interanual no mês passado também interrompe uma sequência de avanços nos meses de novembro. Em 2017, houve expansão de 13,7% e, em 2016, de 26%.

Apesar da oscilação nos últimos meses, o resultado acumulado do ano se mantém em alta. São 2,7 milhões de unidades produzidas de janeiro a novembro, expansão de 8,8% em relação a igual intervalo do ano passado, variação um pouco abaixo da projeção da Anfavea para o ano todo, de 11,1%.

 O recuo da produção em novembro foi acompanhado por demissões. No mês passado, as montadoras eliminaram 120 vagas. No entanto, em 12 meses, o saldo segue positivo, com 3.260 postos criados. Hoje, o setor conta com 131.254 funcionários, 2,5% a mais que em novembro do ano passado.  

Queda nas exportações

Em razão da crise da Argentina, a Anfavea reconheceu que a exportação de veículos em 2018 será menor do que a sua projeção oficial, que já havia sido revisada para baixo em outubro.

Hoje, a previsão das montadoras é que o ano termine com 700 mil unidades exportadas, queda de 8,6% em relação ao ano passado, que foi recorde, com a venda de 766 mil veículos para o exterior. 

No entanto, o presidente da associação, Antonio Megale, afirmou em coletiva de imprensa que o número mais realista para 2018 é de algo entre 600 mil e 650 mil unidades.

A Argentina é o principal destino das exportações brasileiras de veículos, recebendo cerca de 70% do total embarcado. Desde maio, no entanto, o país vizinho tem passado por uma forte depreciação da sua moeda e seguidas altas nas taxas de juros, que diminuíram a demanda pelos carros produzidos no Brasil.

Em novembro, foram 34,3 mil veículos exportados no mês passado, retração de 53% em relação a novembro do ano passado e de 11,3% na comparação com outubro. No acumulado de janeiro a novembro, são 597,3 mil unidades exportadas, recuo de 15,3%.

Em valores, a queda é de 32,8% ante igual mês do ano passado, para US$ 957,1 milhões. Em relação a outubro, o resultado representa recuo de 1,4%. No acumulado do ano até novembro, o setor tem recuo de 5,2%, para US$ 13,7 bilhões. 

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