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Produção do setor têxtil em 2005 é metade do esperado

O volume de produção do setor têxtil e de confecção encolheu 2% em 2005, bem abaixo do crescimento de 8,5% em 2004 e da expectativa para o crescimento deste ano, apontado em 4%. A informação é do diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel. Segundo ele, o setor foi prejudicado por dois motivos: o desaquecimento da atividade econômica, resultante dos altos juros (atualmente em 18% ao ano), e pelos efeitos da desvalorização do dólar, o que prejudicou as exportações. Na prática, o setor depende do avanço da massa salarial da população para crescer, mas o mercado de trabalho evoluiu aquém do esperado pela entidade. A entidade também informou que o faturamento setorial fechou em US$ 26 bilhões, 4% a mais do ano passado, basicamente por conta dos preços maiores em dólares, praticados em 2005. O setor também reduziu a geração de novos emprego no ano passado em 50% com base nos dados de emprego formal do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Depois de aumentar em 60 mil postos em 2004, o total de postos cresceu apenas 40 mil ano passado, dos quais, 70% em confecções e 30% nas tecelagens. A Abit alerta, entretanto, que os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em seis regiões metropolitanas, incluindo empregos formais e informais, mostra o crescimento no número de postos de 1,42% nas tecelagens até outubro e queda de 3,37% nas confecções no mesmo período. Abit tenta conter queda da produçãoComo tentativa para conter a queda da produção, a Abit informou que até o final de fevereiro o Brasil e a China poderão fazer uma restrição voluntária das exportações chinesas de produtos têxteis. O setor é o que enviou ao governo mais pedidos de salvaguardas contra a China, envolvendo 72 produtos. Dados da entidade mostram que de janeiro a novembro as importações provenientes da China cresceram 43,5% sobre o mesmo período do ano anterior, taxa seis vezes maior do que toda a importação de produtos têxteis feitas pelo Brasil. Pimentel afirma que há chances de acordo, mas frisa que o setor não abre mão da possibilidade das salvaguardas. "Isso não é nenhuma hostilidade à China", comentou o executivo. Abit negocia financiamento para compra de maquinárioA Abit e o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) negociam a concessão de uma linha de financiamento para importação de máquinas de costura industrial voltada basicamente para empresas de pequeno e médio porte do setor. Pimentel explicou que há carência de linhas de crédito com custos competitivos e condições adequadas para firmas de menor porte.Segundo a Abit, não há produção desse maquinário no País, cuja maior parte é fabricada em países como Itália, Alemanha e China. Caso saia, a linha deverá fazer parte de uma programa de trabalho da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) que visa fortalecer a confecção nacional e que deverá estar definida até o fim de fevereiro. O objetivo do programa da agência do MDIC é tratar de inovação tecnológica, capacitação, pesquisa e desenvolvimento de produtos ligados ao setor. Atualmente as empresas de pequeno e médio porte do setor compram máquinas basicamente de segunda mão ou acabam fazendo aquisições inadequadas por conta das restrições de capital e de financiamento.

Agencia Estado,

11 de janeiro de 2006 | 19h37

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