Produção e emprego atingem nível mais alto em 3 anos

Sondagem da CNI aponta crescimento, mas há preocupação com o futuro

Lu Aiko Otta, O Estadao de S.Paulo

31 de outubro de 2007 | 00h00

A produção e o emprego atingiram seu nível mais elevado nos últimos três anos, segundo a pesquisa Sondagem Industrial, divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), referente ao terceiro trimestre de 2007. Numa escala de 0 a 100, a produção atingiu 58,2 pontos, um crescimento de 4,3 pontos em comparação com igual período de 2006. O emprego atingiu 53,8 pontos, uma elevação de 3 pontos na mesma comparação.No futuro próximo, porém, os sinais preocupam a CNI. A pesquisa mostra que os industriais contam com o mercado interno para continuar crescendo e estão pessimistas quanto às exportações. ''''É um sinal de alerta para a balança comercial'''', disse o gerente executivo da Unidade de Política Econômica, Flávio Castelo Branco. ''''O foco passou a ser o mercado interno'''', disse o economista Paulo Mol, também da CNI.O problema é que há dúvidas quanto à capacidade de o mercado interno manter o ritmo acelerado de crescimento, puxado neste ano principalmente pelo consumo via crediário. ''''O ano de 2008 vai começar embalado, mas a questão é se o ritmo persistirá'''', observou Mol. ''''Vai depender da leitura que o Banco Central fará do aquecimento da demanda.'''' Segundo o economista, a resposta da autoridade monetária foi interromper a redução da queda da taxa de juros, ainda que o responsável pelo aumento das taxas de consumo tenha sido a ''''política fiscal expansionista'''' do governo. Ele avalia que a interrupção dos cortes nos juros, iniciada este mês, pode retrair o consumo em 2008.Um dos mais prejudicados pelo câmbio, o setor têxtil é um exemplo do que a pesquisa da CNI captou. As exportações estão estagnadas na casa dos US$ 2,2 bilhões ao ano desde 2005. Ainda assim, o setor deverá crescer 3% este ano.Essa expansão ocorreu graças ao mercado interno, segundo o diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Fernando Pimentel. Ele concordou com a avaliação da CNI de que as exportações deixaram de ser prioridade para várias empresas. ''''O problema é que a reconquista do mercado externo é mais difícil do que a conquista.'''' Ou seja, quando as condições macroeconômicas voltarem a favorecer as exportações, muitos encontrarão a porta fechada.Apesar do câmbio desfavorável, o setor têxtil não tem planos de deixar de exportar. As empresas apostam no design, na qualidade e na tecnologia para ganhar nichos no mercado externo. O diretor da Abit tampouco acredita que a balança comercial apresentará problemas já no ano que vem. ''''Os mais pessimistas acham que teremos superávit comercial de US$ 20 bilhões em 2008.''''Os alertas sobre o futuro são, porém, ofuscados pelos resultados de 2007. Ao analisar o terceiro trimestre, a CNI constatou que a produção e o emprego estão em alta. Melhor ainda, o crescimento deixou de estar concentrado nas grandes empresas e passou a englobar as pequenas e médias. Outro dado positivo: apesar de aumentar a produção, as indústrias de grande porte não elevaram muito o índice de utilização da capacidade instalada, que chegou a 81%, ante 80% no terceiro trimestre de 2006. ''''O dado sugere investimentos'''', disse Paulo Mol.A indústria tem motivos para otimismo também por causa do nível de estoques. A pesquisa mostra que eles se encontram em nível ligeiramente abaixo do considerado ideal pelos industriais, o que indica que as vendas seguem bem. ''''Não significa ausência de problemas'''', disse Flávio Castelo Branco. ''''Setores como vestuário, mobiliário e madeira, os que concorrem com estrangeiros e principalmente os exportadores mostram desempenho diferente.''''

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