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Produção e faturamento retomam crescimento, diz CNI

A Sondagem Industrial relativa ao terceiro trimestre de 2006, divulgada nesta quarta-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostra que a produção industrial retomou crescimento no período, após seis trimestres oscilando entre recuo e estabilidade. A produção industrial atingiu 53,2 pontos na sondagem, ultrapassando a barreira dos 50 pontos, o que indica evolução positiva do indicador. Os valores abaixo de 50 pontos sugerem desaceleração da atividade. No segundo trimestre de 2006, a sondagem indicou 48,2 pontos no indicador da produção industrial. O faturamento da indústria no terceiro trimestre atingiu 53,1 pontos, ante 48,4 pontos no segundo trimestre. Segundo a CNI, o crescimento no terceiro trimestre da produção industrial deveu-se quase que exclusivamente às grandes empresas. As pequenas e médias continuam excluídas do processo de recuperação da atividade industrial. A sondagem ainda demonstra uma leve melhora na evolução do emprego, que atingiu 50,2 pontos ante 48,5 pontos no segundo trimestre. O nível de utilização da capacidade instalada elevou-se para 73% no terceiro trimestre deste ano ante 71% no segundo trimestre. O aumento do indicador nesta época, segundo a CNI, é usual e reflete o maior dinamismo na produção industrial com objetivo de atender o aumento da demanda no fim de ano. ExportaçõesO melhor desempenho da indústria no terceiro trimestre de 2006 não aumentou o otimismo dos empresários do setor para os próximos seis meses. A sondagem mostra que caíram os indicadores relacionados à expectativa do faturamento, do número de empregos, das exportações e da compra de matérias-primas, e que os empresários esperam uma queda das exportações nos próximos seis meses. O indicador caiu de 49,6 pontos, registrados no segundo trimestre, para 46,9 pontos, no terceiro. "O índice se afastou da linha dos 50 pontos e volta a apontar pessimismo por parte dos empresários, após três trimestres de expectativa de estabilidade", diz o documento divulgado pela CNI. Valores acima de 50 pontos, na sondagem, indicam expectativas positivas. Abaixo de 50 pontos, pessimismo.Em relação ao faturamento, o indicador caiu de 57,9 pontos, registrados no segundo trimestre, para 53,9 pontos, no terceiro. Segundo a CNI, os números indicam um crescimento menor nesse trimestre, apesar do crescimento das vendas tradicionalmente registrado no período de fim de ano.O indicador foi influenciado pelo resultado das pequenas e médias empresas. As grandes empresas continuam mostrando otimismo, embora também tenham apontado uma média inferior à do segundo trimestre.A sondagem industrial mostra também que o indicador da expectativa de número de empregados continua apontando estabilidade. Caiu de 49 pontos, no segundo trimestre, para 48,7 pontos, no terceiro. Em relação às expectativas de compra de matérias-primas nos próximos seis meses, houve um recuo de 59,2 pontos para 51 pontos. Segundo a CNI, como o indicador está próximo dos 50 pontos, revela que a expectativa é de manutenção dessas compras nos próximos seis meses. Crescimento fracoO coordenador de pesquisa da CNI, Renato da Fonseca, avaliou que o resultado da sondagem mostra que a economia não deve crescer fortemente no último trimestre, de forma a reverter as expectativas de crescimento do PIB para este ano. Segundo Fonseca, as estimativas de crescimento do PIB devem continuar nas taxas atuais. "A Sondagem Industrial não mostra uma expectativa de recuperação estupenda no último trimestre, de modo a reverter as expectativas do PIB, que já foram revistas para baixo", disse. Ele, no entanto, estima uma recuperação da atividade industrial para pequenas e médias empresas.Fonseca acredita que a recuperação que ocorreu com as grandes empresas no terceiro trimestre deve puxar o desempenho das pequenas e médias, no último trimestre, já que muitas delas são fornecedoras para as grandes empresas. Ele também destacou que os setores mais afetados pelo câmbio são os que apresentaram desempenho negativo na produção industrial. Segundo a pesquisa da CNI, os setores de couro, madeira, vestuário e equipamentos hospitalares e de precisão são os que tiveram a menor evolução da produção no terceiro trimestre, enquanto os setores de álcool, limpeza, perfumaria, farmacêuticos e químico tiveram um melhor desempenho.Fonseca destacou que o único fator que pode afetar essa expectativa de melhora para pequenas e médias empresas, no último trimestre, é a expectativa das grandes empresas de menor crescimento no faturamento, no último trimestre, indicando uma posição mais cautelosa em relação aos investimentos e à compra de matérias-primas. O coordenador da CNI alertou que, se o real continuar valorizado em relação ao dólar por muito mais tempo, isso pode gerar uma mudança na cultura exportadora das empresas adquirida nos últimos anos. Segundo Fonseca, as empresas têm reduzido a margem de lucro para continuar vendendo ao mercado externo. O coordenador disse acreditar, no entanto, que, se houver melhora na demanda interna, as empresas podem repensar a estratégia e começar a se retirar do mercado externo. Ele lembrou que muitas empresas decidiram exportar em função de um baixo crescimento da economia doméstica, mas podem agora adotar movimento contrário, já que o mercado externo não é mais tão lucrativo. O coordenador admitiu, porém, que essa mudança não é uma decisão fácil, porque abandonar o mercado externo significa não retomar as exportações tão cedo. Ao mesmo tempo, Fonseca questionou a capacidade das empresas de se manterem exportando por muito mais tempo com câmbio valorizado.

Agencia Estado,

25 de outubro de 2006 | 13h56

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