Produção fraca da OGX pode afetar venda de ativos, dizem bancos

A dramática queda de 10 por cento da produção da OGX em março, depois de decepcionantes resultados em meses anteriores, pode afetar eventuais negociações da empresa de Eike Batista para a venda de participações em alguns de seus blocos exploratórios, afirmaram bancos de investimentos após a empresa divulgar a produção do mês passado.

SABRINA LORENZI, Reuters

17 de abril de 2013 | 16h24

A produção de março, de 15,1 mil barris de óleo equivalente (boe) por dia, ante 16,8 mil em fevereiro, foi impactada por problemas operacionais em alguns poços no campo de Tubarão Azul, na bacia de Campos, entre os quais danos em uma bomba centrífuga submersa que causou uma parada de 15 dias no poço OGX-68HP.

"A última coisa que a OGX precisava neste momento era ser confrontada com problemas de funcionamento. A incerteza já era elevada no que diz respeito ao desempenho da produção dos poços existentes, à quantidade de óleo recuperável (...), ao valor de um eventual farm-out no campo de Tubarão Martelo e à posição financeira do grupo do curto e longo prazo", afirmou o Credit Suisse em relatório a clientes.

As ações da OGX abriram o pregão desta quarta-feira em forte queda após a divulgação da produção da companhia, na noite de terça-feira, e chegaram a um recuo de cerca de 12 por cento na Bovespa. Às 12h10, os papéis recuavam 3,57 por cento.

"Mais problemas, menos farm-outs? Destacamos que ter problemas operacionais não ajuda qualquer negociação de farm-out. Isso aliado ao fato de que já há vários vendedores no Brasil agora (OGX, Petrobras, Vale, Anadarko, BP e ANP), significa que o preço poderá ser reduzido", acrescentou o banco de investimento.

Os problemas operacionais levaram a uma queda de 26,5 por cento na produção em alto mar da OGX, que passou para 8,3 barris diários em março ante 11,3 mil boepd em fevereiro.

O farm-out, que é a venda de participação em áreas que ainda não estão produzindo petróleo, como Tubarão Martelo, é apontado pelo banco J.P.Morgan como uma medida urgente a ser tomada pela empresa do Grupo EBX.

"Parece-nos que um farm-out de campos do Parnaíba e/ou Tubarão Martelo é mais urgente do que nunca, mesmo que as notícias negativas contínuas não devam ajudar nessa processo", afirmaram analistas do banco em relatório.

O sentimento do mercado, segundo os bancos, é de que o fraco desempenho da produção da OGX vai além dos problemas operacionais. A capacidade de produzir todo o volume de petróleo que foi estimado anteriormente pela empresa parece cada vez mais distante para os investidores.

Segundo o J.P.Morgan, investidores deverão começar a questionar a viabilidade do campo de Tubarão Azul.

"Embora na maior parte atribuível a problemas com o equipamento, nós pensamos que os números fracos offshore (em mar) representam outra decepção para o mercado. Ao considerar apenas os dias efetivos de produção, a produção por poço era de 3,9 mil boepd em março", analisou o Bank of America Merrill Lynch.

A média de produção por poço da OGX ficou praticamente estável em relação a de fevereiro, que foi a pior desde o começo da operação comercial.

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