Filipe Araujo/Estadão
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Produção industrial tem alta anual de 1,4% em janeiro e interrompe 34 meses de queda

Alta nesta comparação, contudo, foi beneficiado por efeito calendário; ante dezembro, houve queda de 0,1%

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2017 | 09h06
Atualizado 08 de março de 2017 | 13h12

RIO - A produção industrial de janeiro subiu 1,4% em relação ao mesmo mês do ano passado, divulgou nesta quarta-feira, 8, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A alta interrompeu 34 meses consecutivos de resultados negativos nesta comparação. O crescimento de janeiro de 2017 foi ainda o mais elevado para o mês desde 2013, quando a indústria teve expansão de 6,5%.

Na comparação entre janeiro e dezembro, contudo, o índice caiu 0,1%. No acumulado em 12 meses, a produção da indústria acumulou queda de 5,4%.

Vale também a ressalva de que o avanço anual foi beneficiado por um efeito calendário, uma vez que janeiro de 2017 teve dois dias úteis a mais que janeiro de 2016. Segundo o IBGE, se o benefício de dias úteis a mais fosse neutralizado, a alta na produção da indústria teria sido de apenas 0,4% em relação a janeiro de 2016. "O avanço precisa ser relativizado porque a gente tem componentes ajudando nesse resultado, seja o número de dias úteis a mais seja a base de comparação depreciada", apontou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.

Quanto à base de comparação fraca, Macedo lembra que a produção industrial tinha recuado 13,4% em janeiro de 2016 ante janeiro de 2015. Entre as atividades que tiveram expansão em janeiro de 2017 ante o mesmo período do ano anterior, as indústrias extrativas exerceram a maior pressão positiva na formação da média da indústria, com elevação de 12,5%, puxada por minérios de ferro, óleos brutos de petróleo e gás natural.

Segundo Macedo, o conjunto das informações sugere uma melhora do setor. O técnico reconhece que o resultado negativo de dezembro a janeiro não é a melhor situação para a indústria, mas lembra que a produção acumulou avanço de 2,9% nos dois últimos meses de 2016, a media móvel trimestral cresceu de 0,5% em dezembro para 0,9% em janeiro, além da alta de 1,4% ante janeiro de 2016. "Há uma melhora de ritmo na produção industrial quando se observa o conjunto de informações. Mas não significa que há trajetória de crescimento para a produção industrial", ponderou.

O pesquisador reconhece que o arrefecimento na inflação e o ciclo de corte na taxa básica de juros podem ajudar a indústria, mas o mercado de trabalho ainda atrapalha. "Os fatores que inibiram a produção permanecem: o mercado de trabalho menos favorável; nível elevado de pessoas desocupadas; inadimplência; apesar da redução de taxas de juros o crédito ainda é caro, escasso", disse Macedo.

A taxa acumulada pela indústria em 12 meses manteve em janeiro a trajetória de desaceleração das perdas iniciada em junho de 2016, mas ainda mostra retração elevada: -5,4%, com quedas em todas as categorias de uso. "Os fatores que justificaram três anos de queda na produção industrial ainda permanecem dentro do contexto. Há um conjunto de Informações nos dá uma sensação melhor da produção, ainda que se encontre em patamar muito baixo. O setor industrial tem um campo importante a ser recuperado em função das perdas acumuladas no passado", completou.

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