Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Produção industrial cai 0,2% em maio; recuo foi menor que o esperado

Analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast projetavam queda de 0,35%; no acumulado do ano indústria já diminuiu 0,7%

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2019 | 09h14
Atualizado 02 de julho de 2019 | 11h36

RIO - A produção industrial caiu 0,2% em maio ante abril, na série com ajuste sazonal, divulgou nesta terça-feira, 2, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O recuo veio menos intenso do que o esperado pelo mercado: a mediana das expectativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast era de queda de -0,35%.

Em relação a maio de 2018, a produção subiu 7,1%. Nessa comparação, sem ajuste, as estimativas variavam de um aumento de 2,3% a 9,8%, com mediana positiva de 6,85%. No acumulado do ano, a indústria teve queda de 0,7% e, em 12 meses, a produção ficou estável (0,0%). 

Segundo o gerente da Coordenação de Indústria do IBGE, André Macedo, uma série de fatores conjunturais explica a piora na produção industrial, como o ambiente de incertezas elevadas, o alto nível de desemprego e a crise na Argentina, importante parceiro comercial do Brasil.

A indústria chegou a maio com a produção 3,7% aquém do patamar pré-greve de caminhoneiros, ou seja, o nível de abril de 2018. "Teve aumento de incertezas afetando decisões de investimentos e de consumo, manutenção de um mercado de trabalho com um contingente importante de pessoas fora dele e o agravamento a partir de abril da crise na Argentina afetando as exportações", enumerou Macedo.

Ele lembrou que a queda de 0,2% em maio praticamente elimina o ligeiro ganho de 0,3% obtido em abril. Dos 26 ramos investigados, 18 segmentos tiveram retração em maio ante abril.

"Para além de voltar ao território negativo, chama atenção a disseminação das quedas entre as atividades investigadas. O perfil de queda foi o mais espalhado desde maio de 2018, que era bem caracterizado pelo efeito da greve de caminhoneiros", completou o pesquisador do IBGE.

O destaque negativo no mês foi a queda de 2,4% na fabricação e veículos automotores, embora tenha havido expansão na produção de caminhões, impedindo um recuo ainda maior no setor.

Produção de bens de capital sobe 0,5% em maio ante abril 

A produção da indústria de bens de capital teve alta de 0,5% em maio ante abril, segundo o IBGE. Na comparação com maio de 2018, o indicador mostrou aumento de 22,2%. No ano, houve elevação de 1,9% na produção de bens de capital. No acumulado em 12 meses, a taxa ficou positiva em 4,2%. 

Em relação aos bens de consumo, a pesquisa registrou queda de 1,8% na passagem de abril para maio. Na comparação com maio de 2018, houve alta de 14,9%. No ano, a produção de bens de consumo subiu 1,7%. No acumulado em 12 meses, o aumentou foi de 1,0%. 

Na categoria de bens de consumo duráveis, o mês de maio foi de recuo de 1,4% ante abril. Em relação a maio de 2018, houve alta de 28,0%. Entre os semiduráveis e os não duráveis, houve redução de 1,6% na produção em maio ante abril. Na comparação com maio do ano passado, a produção cresceu 11,4%. 

Para os bens intermediários, o IBGE informou que a produção teve expansão de 1,3% em maio ante abril. Em relação a maio do ano passado, houve uma elevação de 2,3%. No ano, os bens intermediários tiveram redução de 2,0%. Em 12 meses, houve diminuição de 0,9% na produção.

Produção recua em 18 dos 26 ramos industriais em maio ante abril

A indústria registrou perdas na produção em 18 das 26 atividades pesquisadas na passagem de abril para maio. A principal influência negativa para a queda de 0,2% na produção foi do recuo de 2,4% em veículos automotores, reboques e carrocerias, que devolveram parte do avanço de 6,4% registrado em abril.

Outras contribuições negativas relevantes foram de bebidas (-3,5%), couro, artigos para viagem e calçados (-7,1%), outros produtos químicos (-2,0%), produtos de metal (-2,3%), produtos de minerais não-metálicos (-2,1%) e produtos diversos (-5,8%).

Na direção oposta, entre os oito segmentos com avanços, o crescimento mais significativo foi registrado pelas indústrias extrativas, com expansão de 9,2%, eliminando assim parte do recuo de 25,6% acumulado nos quatro primeiros meses de 2019.

Segundo André Macedo, as indústrias extrativas voltaram a crescer devido à retomada da extração de minério de ferro no Pará, que tinha sido prejudicada pelo excesso de chuvas nas leituras anteriores, além do bom desempenho da extração de petróleo.

Também houve crescimento em maio ante abril na fabricação de setor de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (3,2%), interrompendo dois meses consecutivos de quedas, período em que acumulou uma perda de 4,9%. 

Indústria opera 17,5% abaixo do pico de produção registrado em maio de 2011

A queda de maio aumentou a distância entre o patamar de produção atual e o ponto mais elevado já registrado na série histórica da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE. Em maio, o patamar de produção estava 17,5% menor que o auge alcançado em maio de 2011, em nível semelhante ao de janeiro e fevereiro de 2009.

"Tem um distanciamento importante, e que está aumentando mês a mês, conforme vão entrando informações negativas", ressaltou Macedo. "A indústria está 1,4% abaixo do patamar que havia encerrado o ano passado."

No mês de maio, a fabricação de bens de capital estava 32,9% abaixo do pico de produção registrado em setembro de 2013, enquanto os bens de consumo duráveis operavam 25,6% aquém do ápice de produção visto em junho de 2013. Já os bens intermediários estavam 17,8% abaixo do pico visto em fevereiro de 2011. 

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