Marcos Brindicci/Reuters
Marcos Brindicci/Reuters

Produção industrial cai 14,7% na Argentina

Queda foi em dezembro de 2018 na comparação com o mesmo mês do ano anterior; indicador aponta que recessão se aprofunda no país vizinho

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

05 Fevereiro 2019 | 20h22

Em recessão desde o terceiro trimestre do ano passado, a Argentina teve nesta terça-feira, 5, indícios de que a crise econômica está se aprofundando ainda mais. A produção industrial no país retrocedeu 14,7% em dezembro na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo dados do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec). Foi o oitavo mês consecutivo de quedas crescentes e o pior resultado do setor no governo de Mauricio Macri. No ano, a indústria acumulou recuo de 5%.

O resultado do setor em dezembro é também pior do que o projetada por analistas ouvidos pela Trading Economics, que previam queda de 7,6%.

O órgão estatístico argentino divulgou, ainda na terça-feira, que a construção civil registrou queda de 20,5% em dezembro na comparação com o mesmo mês de 2017. No país, o segmento da construção não é contabilizado dentro da indústria, como ocorre no Brasil.

No ano, porém, a construção avançou 0,8%, impulsionada pelos resultados dos primeiros meses de 2018, quando as altas beiravam os 20%. A construção, principalmente as obras públicas, havia sido o grande motor do crescimento da economia argentina em 2017, quando o PIB avançou 2,9%.

Logo após apresentar esse resultado, porém, o país começou a perder tração, com o aumento da taxa de juros nos Estados Unidos – que tornou os investimentos americanos mais rentáveis e os de países emergentes, menos interessantes. Resultados fiscais ruins e um imposto sobre aplicações financeiras feitas por estrangeiros se somaram ao cenário que levaram o investidor a fugir da Argentina. A consequência de tudo isso foi uma desvalorização do peso argentino superior a 50% e uma inflação de 47,6% no ano, além de projeções de uma queda do PIB de 2,5% em 2018.

Para 2019, economistas estimam novo recuo para o PIB argentino, que deverá ficar entre -1% e -1,5%.

Brasil

O desempenho fraco da economia do país vizinho começou a prejudicar o Brasil no fim do ano passado. No quatro trimestre de 2018, a indústria brasileira recuou 1,1% na comparação com o mesmo período do ano anterior, em grande parte por causa da diminuição das exportações para a Argentina. Apenas as vendas para fora da indústria automotiva caíram 48,1% em dezembro em relação ao mesmo mês de 2017.

Com base nesses dados – e sobretudo por causa da falta de perspectivas de melhora na economia argentina –, o Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) reviu para baixo as projeções para o crescimento da indústria brasileira neste ano. Em dezembro, o Ibre estimava uma alta de 2,5% para o setor. Agora, prevê 1,8%.

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