Produção industrial cai após sequência de alta

A produção industrial caiu 1,3% em janeiro ante dezembro na série com ajuste sazonal, segundo divulgou nesta segunda-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado foi o primeiro de retração após uma seqüência de três meses de alta, nesta base de comparação.Esse resultado ficou abaixo do piso das estimativas apuradas pelo AE Projeções, que era de -0,40% (média de 0% e teto de +1%). Porém, em relação a janeiro de 2005, a produção da indústria cresceu 3,2% e acumula em 12 meses um aumento de 2,9%. Esse crescimento em relação ao mesmo mês de 2005 também veio abaixo do piso das projeções de mercado, que era de 4,70% (média de 5,35% e teto de 6,1%).AcomodaçãoSegundo o documento de divulgação do IBGE, o índice de média móvel trimestral, principal indicador de tendência, mantém trajetória de crescimento com variação positiva de 0,6% entre os trimestres encerrados em dezembro e janeiro. Os resultados da produção industrial de janeiro mostram uma "acomodação após um crescimento significativo", segundo avalia o chefe da coordenação de indústria do IBGE, Silvio Sales. Segundo ele, essa acomodação pode refletir ainda uma normalização dos estoques, que parecia ter sido concluída em dezembro. No entanto, Sales alerta que somente os dados de vendas indústrias da CNI que serão divulgados na semana que vem poderão revelar a relação entre o movimento de estoques e os dados da produção da indústria. Caso a CNI aponte crescimento das vendas, poderá ser um importante sinal de reação da atividade industrial nos próximos meses. Bens de capitalEntre as categorias pesquisadas, houve queda na produção industrial em janeiro ante dezembro em bens de capital, com retração de 3,6%; bens de consumo duráveis, baixa de 5,7%; e bens de consumo não duráveis, com recuo de 1,8%. Apenas bens intermediários registraram um tímido aumento, de 0,4%. Já na comparação com janeiro de 2005, houve expansão em todas as categorias: bens de capital, com 6,8%; bens intermediários, com 2,9%; bens de consumo duráveis, com 18,4%; e bens de consumo não duráveis, com 0,2%. SegmentosSales salientou que em janeiro, na comparação com dezembro, houve queda na produção em 12 dos 23 segmentos industriais ajustados sazonalmente pelo IBGE. Os destaques de impactos de queda na produção nessa base de comparação foram veículos automotores (-7,6%), farmacêutica (-10,2%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-6,1%). O economista sublinhou que esses três segmentos vinham de um crescimento forte em dezembro ante novembro, trajetória que havia sido observada nos dados industriais em geral e que podem ter levado a um efeito base nos dados ajustados de janeiro. ContradiçãoPara Sales, não há contradição entre os dados divulgados pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) nesta semana, mostrando bom desempenho da indústria paulista, e os dados do IBGE. Segundo ele, os dados da Fiesp não incluem produção, mas uma mistura entre vendas, horas trabalhadas e nível de utilização de capacidade. Além disso, segundo ele, ainda que aconteça raramente, pode ser que em janeiro a indústria paulista tenha se descolado do restante do País, mostrando desempenho bem melhor do que a média. Mas essa possibilidade só poderá ser confirmada pelo IBGE no próximo dia 15, quando serão apresentados os dados regionais da indústria relativos a janeiro. Crescimento da produção industrialMêsComparação com mês anteriorComparação com mesmo mês do ano anteriorJaneiro 2005zero6%Fevereiro-1,4%4,1%Março1,4%1,8%Abrilzero6,4%Maio1,3%5,6%Junho1,6%6,4%Julho-2%0,7%Agosto0,9%3,7%Setembro-2,2%-0,1%Outubro0,4%0,3%Novembro0,8%1%Dezembro2,4%2,7%Janeiro 2006-1,3%3,2%Este texto foi alterado às 15h42 com complemento de informações

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