Produção industrial cresce 3% em 12 meses

A produção industrial cresceu 1,2% na passagem de janeiro para fevereiro, segundo os índices sazonalmente ajustados (desconsiderando particularidades econômicas dos meses). Os dados, divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam ainda que em relação ao mesmo mês do ano passado a expansão foi de 5,4%. O indicador acumulado nos últimos 12 meses avançou 3%, interrompendo uma trajetória de queda observada desde março de 2005. No primeiro bimestre de 2006 o crescimento acumulado é de 4,2% sobre os dois primeiros meses de 2005. Segundo o documento de divulgação dos instituto, "a ampliação do crédito, o aumento da massa salarial e a queda nos índices de inflação são fatores que favorecem este desempenho [de crescimento]". O IBGE também levou em consideração os resultados positivos das exportações, "que impactam principalmente o setor produtor de commodities, mas também algumas áreas de bens de consumo, em especial os duráveis". Produção industrial de fevereiro a fevereiro Mês Ante mês anterior Ante igual mês do ano anterior Fevereiro/2005 -1,8% 4,1% Março 1,7% 1,8% Abril zero 6,4% Maio 1,3% 5,6% Junho 1,6% 6,4% Julho -2% 0,7% Agosto 0,9% 3,7% Setembro -2,2% zero Outubro 0,4% 0,3% Novembro 0,9% 1% Dezembro 2,5% 2,7% Janeiro/2006 -1,3% 3,1% Fevereiro 1,2% 5,4% Retorno Com os resultados de fevereiro, a indústria "praticamente retorna" ao patamar de dezembro, segundo o chefe da coordenação de indústria do IBGE, Silvio Sales. A economista Isabella Nunes, da mesma coordenação, disse que se o desempenho de março do setor for igual ao de fevereiro, mesmo sem qualquer aceleração, a indústria apresentará um resultado positivo no acumulado do primeiro trimestre. Segundo Sales, o crescimento de 1,2% em fevereiro ante janeiro praticamente anula a queda de -1,3% registrada em janeiro ante dezembro. De acordo com o IBGE, a expansão de fevereiro na comparação com janeiro atingiu 15 das 23 atividades pesquisadas que têm séries mensais sazonalmente ajustadas, e três das quatro categorias de uso. O setor de Bens de consumo duráveis registrou a maior expansão, avançando 6%. Em segundo lugar vieram os grupos Bens de consumo semi e não duráveis, com 1,7%; e Bens de capital, com 1,5%. Em contrapartida, após quatro meses de resultados positivos, onde acumula 1,7%, o setor produtor de bens intermediários apresentou queda de 0,6%. Atividades No corte por atividades, o destaque foi para as indústrias farmacêutica, que expandiu 26,2% no período; e de veículos automotores, com incremento de 4,8% na produção. Porém, segundo o instituto, deve ser levado em consideração que em janeiro esses setores tiveram quedas "significativas" de 11,9% e 7,5%, respectivamente. O setor de máquinas e equipamentos, por sua vez, apresentou crescimento de 2,6%, o que marcou o quinto mês consecutivo de expansão. Entre setembro de 2005 e fevereiro deste ano o grupo já acumula expansão de 8%. A indústria de bebidas, por sua vez, que cresceu 3,7%, acumulou taxa de 9,1% de setembro para mês passado. Entre as oito atividades com queda nesse indicador destacam-se metalurgia básica, que retraiu 4,8%; outros produtos químicos, com queda de 1,5%; e perfumaria, sabões e produtos de limpeza, que produziu 5,1% a menos. Fevereiro x fevereiro Na comparação com o fevereiro de 2005, a indústria brasileira alcança o quinto mês de crescimento consecutivo. O crescimento de 5,4% é o maior desde julho de 2005. De acordo com o IBGE, o desempenho positivo foi resultado da expansão na produção de 19 das 27 atividades pesquisadas. Nesta base de comparação o destaque também foi da indústria farmacêutica, que cresceu 42%. Em seguida vieram os setores de material eletrônico e equipamentos de comunicações, com avanço de 26,6%; e a indústria extrativa, com 12,8%. Entre os oito ramos industriais em queda, o principal impacto vem da metalurgia básica, que produziu 4,7% a menos, por conta, principalmente, da paralisação de um alto forno em uma grande empresa do setor. Antecipação Ainda, segundo Sales, os dados da produção de bens de capital e, especialmente, de insumos da construção civil no primeiro bimestre, antecipam um bom desempenho dos investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo, ou FBCF) no Produto Interno Bruto (PIB). "Juntando os dados de bens de capital e insumos para construção civil, é possível antever um bom desempenho dos investimentos no PIB (no primeiro trimestre)", disse. Este texto foi atualizado às 16h13.

Agencia Estado,

04 Abril 2006 | 09h38

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