Taba Benedicto/Estadão - 29/4/2020
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Produção industrial cresce em 14 das 15 regiões pesquisadas em junho

Segundo o IBGE, resultado reflete o movimento de retorno às fábricas que estavam fechadas por causa da pandemia

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2020 | 09h58
Atualizado 11 de agosto de 2020 | 13h18

RIO - Passado o choque provocado pela pandemia do novo coronavírus, a indústria brasileira mostrou recuperação disseminada em junho na comparação com maio. A produção cresceu em 14 dos 15 locais que integram a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física Regional, informou nesta terça-feira, 11, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O desempenho positivo reflete a ampliação do movimento de retorno à produção de unidades produtivas que estavam paralisadas por conta das medidas de isolamento social em combate à pandemia de covid-19.

Em São Paulo, maior parque industrial do País, houve um avanço de 10,2% em junho ante maio. A indústria local acumulou um crescimento de 20% na produção nos meses de maio e junho, embora ainda não tenha conseguido recuperar as perdas de 29,4% registradas de fevereiro a abril.

“A indústria de São Paulo ainda não recupera a perda acumulada”, ressaltou Bernardo Almeida, analista da Coordenação de Indústria do IBGE. “Ainda vamos ter que esperar os próximos meses para ver se a indústria consegue se restabelecer nesse pós-pandemia. A gente tem recuperação recente em relação a esse tempo de medidas mais fortes de isolamento, mas tem que ter um período de compensação a mais. Nos resultados deste mês ainda há espaço a cumprir para se recuperar desse período de restrições”, completou.

A produção do parque fabril de São Paulo ainda opera 33,5% abaixo do pico alcançado em março de 2011. De maio para junho, a melhora foi puxada pelos setores de veículos automotores, de máquinas e equipamentos, de outros produtos químicos e de alimentos.

Apesar de distante do auge, a velocidade da recuperação de São Paulo nos meses de maio e junho sinaliza que o parque fabril local tem capacidade de resgatar o que foi perdido na última crise sanitária.

“É um incentivo, que mostra do que pode vir dos resultados dos próximos meses, mas a gente teria que aguardar para verificar realmente essa força de recuperação que a indústria paulista tem”, ponderou Almeida.

Em junho de 2020 ante junho de 2019, a indústria paulista recuou 11,8%, a quinta taxa negativa consecutiva. Nesse tipo de comparação, 12 das 18 atividades que integram a indústria local registraram quedas na produção, com destaque para os impactos negativos de veículos automotores e de máquinas e equipamentos.

De todos os 15 locais pesquisados na pesquisa do IBGE, apenas a indústria do Amazonas  já conseguiu recuperar a perda acumulada na crise da covid-19, com ajuda da melhora no setor de bebidas (fabricação de xaropes para refrigerantes, cerveja, chope e refrigerante) e de outros equipamentos de transportes (especialmente da maior fabricação de motocicletas).

“Só o Amazonas consegue recuperar essa perda acumulada por enquanto”, disse Almeida. A produção da indústria amazonense avançou 65,7% em junho ante maio. Na comparação com junho do ano passado, porém, houve recuo de 10,4%.

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