Produção industrial dá sinais de acomodação no 3º trimestre

O boletim Notas Econômicas, publicado pela Confederação Nacional da Indústria, destaca que a atividade industrial "dá sinais claros de acomodação no terceiro trimestre" do ano. Segundo a publicação, no período em questão, apenas a produção de bens de consumo não duráveis cresceu, puxada pelo aumento das exportações de gasolina e produtos farmacêuticos.O boletim afirma, ainda, que a expansão de 1,1% da produção industrial em agosto em relação ao mês anterior, levantada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), "foi apenas um contraponto à queda de 1,9% observada em julho". Segundo a publicação, na média de julho e agosto, o que se observa é estabilidade da produção, se comparada com o segundo trimestre.E como o mês de setembro não deverá alterar, de forma significativa, o cenário, o economista Paulo Mol, da CNI, diz acreditar que a tendência é de estabilidade no terceiro trimestre. "Para o quatro trimestre podemos até esperar crescimento da atividade", afirma ele. "Mas, no terceiro trimestre, não haverá crescimento".Segundo o boletim da CNI, o desaquecimento da produção do setor industrial foi generalizado, no terceiro trimestre deste ano. "A produção de bens de capital teve nítida desaceleração, o que pode sinalizar redução dos investimentos", afirma, apontando, igualmente, o desempenho da produção de bens de consumo desfavorável, observando que ele pode estar relacionado à redução no ritmo de concessões de crédito à pessoa física.Desempenho dos segmentosQuanto ao bom desempenho dos bens de consumo não durável, em julho e agosto, o economista Paulo Mol afirma que ele "não reflete efeitos do aumento da renda do trabalhador". Segundo ele, os segmentos mais relacionados ao salário - tais como os de alimentos, bebidas, produtos de limpeza, vestuário e calçados - tiveram queda de produção.Segundo a CNI, na categoria dos bens não-duráveis, o destaque foi a produção de álcool e gasolina, que tiveram um crescimento de 3,6% na média de julho e agosto em relação ao segundo trimestre, e a de produtos farmacêuticos, com alta de 7,5% na mesma comparação. Segundo Mol, esse crescimento deveu-se à expansão das exportações.

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