Produção industrial da zona do euro despenca em novembro

Em meio a dados negativos, secretário da OCDE diz que pior para economia da região ainda está por vir

Ana Conceição e Nathália Ferreira, da Agência Estado,

14 de janeiro de 2009 | 08h28

A produção industrial dos 15 países que adotam o euro como moeda caiu 1,6% em novembro de 2008, ante outubro, e 7,7% ante o mesmo período em 2007, de acordo com a Eurostat, agência de estatísticas da União Europeia (UE). Foi a maior queda para um mês de novembro desde que a série de dados sobre produção industrial começou a ser divulgada, em janeiro de 1990. Veja também:   Desemprego, a terceira fase da crise financeira global De olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise  A retração é mais uma evidência do aprofundamento da recessão na zona do euro, o que aumenta a possibilidade de mais um corte na taxa de juros do bloco pelo Banco Central Europeu (BCE), que se reúne nesta quinta-feira. Economistas consultados pela Dow Jones esperam corte de 0,50 ponto porcentual, para 2% ao ano. Apesar de forte, o declínio ante outubro foi menor que o esperado, embora a queda ante o mesmo período do ano passado tenha superado as previsões. Economistas consultados pela Dow Jones na semana passada estimaram queda na produção industrial de 2,1% ante outubro, e de 6,7% ante novembro de 2007. A Eurostat revisou a estimativa da queda da produção industrial de outubro para 1,6% ante setembro e para 5,7% ante o mesmo período do ano anterior, de uma previsão inicial de queda de 1,2% e 5,3%, respectivamente. O declínio atingiu todos os setores, com destaque para o de bens intermediários, cuja produção diminuiu 2,8% em novembro, ante outubro, e despencou 11,2% ante o mesmo período do ano anterior. A produção de bens de consumo duráveis caiu 2,4% na comparação mensal e 10,3% na comparação anual, que foi a maior desde junho de 1992. A queda na produção industrial foi significativa em todas as principais economias da zona do euro. Na Alemanha, a retração foi de 3,3%, ante outubro; na Itália, de 2,4% e, na França, de 2,3%. Nos 27 países que compõem a UE, a produção industrial caiu 1,6% em novembro, ante outubro, e 7,7% ante o mesmo período de 2007, de acordo com a Eurostat.  Desaceleração profunda O secretário-geral da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Angel Gurria, alertou nesta quarta-feira que o pior ainda está para vir para a economia da zona do euro. "Uma desaceleração profunda e prolongada parece cada vez mais provável", disse, em entrevista coletiva em Paris.  A organização acredita que o Produto Interno Bruto (PIB) da região irá se contrair no segundo semestre de 2008 e na primeira metade de 2009. Segundo Gurria, a zona do euro entrou em recessão mesmo antes de a crise do mercado financeiro aumentar em outubro. O cenário econômico está se deteriorando a um ritmo mais rápido que o previsto e se a OCDE fosse republicar o relatório de perspectiva econômica mundial que divulgou em outubro, os dados seriam piores, disse Gurria.

Tudo o que sabemos sobre:
Crise FinanceiraUnião Europeia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.