Produção industrial de 2001 cresceu em 7 de 12 regiões

A produção industrial brasileira fechou o ano passado com crescimento acumulado em sete das 12 regiões pesquisadas pelo IBGE. A indústria de Santa Catarina (3,7%) liderou os desempenhos regionais, com expansão de 3,7%, seguida pelo Paraná (3,2%), São Paulo (2,5%), Rio de Janeiro (1,6%) e região Sul (1,6%), todas com crescimento acima da média nacional de 1,5%. Registraram expansão também as regiões de Pernambuco (0,9%) e Bahia (0,4%). Desempenhos negativos no acumulado de 2001 foram registrados no Ceará (-7,3%), região Nordeste (-2,5%), Rio Grande do Sul (-1,1%), além de Minas Gerais e Espírito Santo (ambas com - 0,3%).Segundo o IBGE, essas quedas ocorreram devido a uma base de comparação elevada - caso do Ceará, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, que registraram as mais altas taxas de crescimento em 2000 -, além de "pressões localizadas", como os problemas registrados na indústria têxtil no Nordeste.Queda em dezembroA queda de produção que marcou a indústria brasileira em dezembro do ano passado (redução de 6,1% ante dezembro 2000) ocorreu em 11 das 12 regiões pesquisadas pelo IBGE. Os piores desempenhos nessa base de comparação foram registrados nas indústrias de Minas Gerais (-11,3%) e Ceará (-10,4%), enquanto os resultados de São Paulo e Espírito Santo (ambos com -6%), foram praticamente iguais à média do País.Nas demais áreas, os desempenhos em dezembro foram os seguintes: Paraná (-4,8%), regiões Nordeste (-4,4%) e Sul (-4,1%), Rio Grande do Sul (-2,5%), Pernambuco (-2,4%), Santa Catarina (-2,3%) e Rio de Janeiro (-1,5%). Apenas a Bahia registrou um pequeno crescimento, de 0,7%.Maior crescimento em São PauloA indústria de São Paulo registrou o maior crescimento regional do País (9,2%) na produção entre 1999 e 2001, segundo o IBGE. No total do País, a expansão da produção industrial no período foi de 8,2%. No que diz respeito aos indicadores do ano passado, o Estado acompanhou o desempenho nacional com redução da produção em dezembro (-6%) ante dezembro de 2000 e expansão de 2,5% no acumulado de 2001.A queda de dezembro foi resultado especialmente dos maus desempenhos nas indústrias de material de transporte (-18%), química (-6,9%), produtos alimentares (-16,5%) e mecânica (-10,7%). No acumulado do ano, o resultado positivo foi beneficiado pelos segmentos de material elétrico e de comunicações (15,9%) e mecânica (4,8%). A expansão da indústria de material elétrico e comunicações foi influenciada, principalmente, pelo item baterias e acumuladores, cuja produção cresceu em conseqüência do racionamento de energia elétrica.Pior desempenho no CearáA indústria do Ceará apresentou o pior desempenho regional do ano passado, com queda acumulada de 7,3% na produção, ante uma expansão de 9,9% em 2000 (nesse caso o melhor resultado regional do período). A gerente de análise técnica do IBGE, Mariana Rebouças, explicou que os setores que têm maior peso no Estado registraram queda na produção, tais como alimentos e bebidas, têxteis, calçados, vestuário e refino de petróleo. Ela destacou que o "efeito base" (taxas de comparação elevadas) foi forte no Ceará, já que os indicadores de 2000 foram muito positivos no Estado.Ela destacou que esse efeito marcou a pesquisa regional industrial anual de 2001, já que os estados que registraram maior crescimento no ano anterior apresentaram as maiores quedas no ano passado: Minas Gerais (de 9% para -0,3%) e Rio Grande do Sul (8,7% para -1,1%), além do Ceará.Setor de alimentos ajudou a região Sul A produção industrial da maior parte dos Estados da região Sul do País foi beneficiada pelos bons desempenhos dos segmentos de alimentos e bens de capital e pelo fato desses locais terem sido poupados do racionamento energético. Segundo a pesquisa industrial regional do IBGE, a região Sul (1,6%), o Paraná (3,2%) e Santa Catarina (3,7%) apresentaram expansões superiores à média nacional (1,5%) no ano passado. O Rio Grande do Sul registrou queda de 1,1%, mas segundo a gerente de análise do departamento de indústria do IBGE, Mariana Rebouças, nesse caso houve influência da base de comparação elevada, já que a indústria gaúcha havia crescido 8,7% em 2000. Ela sublinhou que os demais locais do Sul concentram parques industriais que tiveram impacto positivo na produção brasileira no ano passado, ou seja, bens de capital e alimentos.AgroindústriaA agroindústria brasileira registrou crescimento de 2,5% no ano passado em relação a 2000, com desempenho melhor do que a média da indústria nacional (1,5%) no período. Os resultados do setor superaram também o mau desempenho de 2000 (-3,6%). A performance positiva ocorreu tanto nos setores ligados à pecuária (6,5%) como à lavoura (1,8%).Segundo o IBGE, a agroindústria no ano passado foi beneficiada pela safra superior a 98 milhões de toneladas, o aumento da produtividade no campo e a modernização das fábricas, além da desvalorização cambial que impulsionou as exportações.Esses fatores impulsionaram a agroindústria no decorrer de todo o ano, com expansão em todos os trimestres, sendo que a maior taxa ocorreu no primeiro trimestre (4,7%). No segundo, a expansão desacelerou para 0,6% e nos dois restantes, estabilizou-se em torno de 2,6%.

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