Washington Alves/Estadão
Washington Alves/Estadão

Produção industrial cresce pelo segundo mês seguido, mas não compensa perdas acumuladas na pandemia

Com o avanço de 8,9% em junho, a indústria acumula alta de 17,9% em dois meses, ainda insuficiente para recuperar a queda de 26,6% registrada em março e abril

Daniela Amorim e Cícero Cotrim, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2020 | 12h52
Atualizado 01 de outubro de 2020 | 16h26

RIO e SÃO PAULO - A indústria brasileira retoma aos poucos o ritmo, passado o choque inicial provocado pela pandemia da covid-19. Em meio à flexibilização das medidas de isolamento social contra a disseminação do vírus, a produção cresceu 8,9% em junho ante maio, depois de ter avançado 8,2% no mês anterior. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgados nesta terça-feira, 4, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O avanço não recupera as perdas recentes. A indústria ainda opera 13,5% aquém do patamar de fevereiro, antes que a crise sanitária provocada pela pandemia tivesse chegado ao País. No entanto, o desempenho de junho foi um pouco melhor do que o esperado por analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast, que estimavam uma alta mediana de 7,8%.

"Estamos vendo que realmente abril foi o fundo do poço na atividade e, a partir daí, temos uma retomada que é gradual, mas parece estar se consolidando", avaliou o economista-chefe do Banco MUFG Brasil, Carlos Pedroso.

Em junho, 24 das 26 atividades pesquisadas aumentaram a produção em relação a maio. A influência positiva mais relevante sobre a média global foi do setor de veículos automotores, que avançou 70,0%.

“A produção tinha sido quase toda paralisada, especialmente em abril”, ponderou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.

A fabricação de veículos acumulou uma alta de 495,2% nos últimos dois meses consecutivos de crescimentos (maio e junho), mas ainda opera 53,7% abaixo do patamar de fevereiro, período pré-pandemia.

"O que temos de positivo é uma recuperação rápida no curtíssimo prazo, que está dentro do esperado, mas o ponto central é descobrir onde vamos parar quando saírem estímulos como o auxílio emergencial da economia", observou o economista-chefe do Haitong Banco de Investimento, Flávio Serrano.

Em dois meses de altas, a indústria brasileira acumula um avanço de 17,9%, ainda insuficiente para anular a perda de 26,6% registrada nos meses de março e abril.

"O ganho acumulado de 17,9% não suplanta a perda dos meses anteriores. Só para gente relativizar esse crescimento, são expansões que ocorrem sobre uma base de comparação muito depreciada. A indústria opera no terceiro mais baixo patamar da série histórica (iniciada em 2002)”, observou André Macedo, do IBGE.

Na comparação com o mesmo mês do ano passado, a produção industrial caiu 9% em junho deste ano, com resultados negativos em 21 dos 26 ramos investigados. O mês de junho de 2020 teve dois dias úteis a mais que junho de 2019, mas o ritmo da produção industrial permanece menos intenso, ainda influenciado pelos efeitos da pandemia do novo coronavírus.

A queda na indústria em junho foi a oitava taxa negativa consecutiva nesse tipo de comparação, mas os resultados de maio (-21,8%) e abril (-27,5%) tinham superado os dois dígitos em decorrência da pandemia.

Em junho de 2020 ante junho de 2019, o setor de veículos automotores encolheu 51,6%, maior influência negativa sobre a média global da indústria.

A indústria fechou o segundo trimestre com uma retração de 17,5% em relação ao primeiro trimestre do ano. No trimestre anterior, a produção já tinha recuado 2,7% ante o quarto trimestre de 2019.

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