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Produção industrial desaba 17% na Europa

Alemanha, maior economia do região, teve queda de 19% em janeiro ante mesmo mês de 2008

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

21 de março de 2009 | 00h00

A produção industrial europeia sofreu em janeiro queda recorde e o fechamento de linhas de montagem já indica que a recessão e o desemprego devem continuar na região pelos próximos meses. Dados divulgados ontem pela Comissão Europeia apontam que a pior crise mundial em 60 anos está custando caro para a indústria europeia.Em janeiro, a queda da produção foi de 17,3%, em comparação com um ano antes. Na Alemanha, a queda foi de 19%. Trata-se da maior queda da Europa desde que a produção começou a ser avaliada pela Comissão, em 1986. Com uma redução sem precedentes na demanda dos três maiores mercados do mundo - Europa, Estados Unidos e Japão -, o impacto nas indústrias é a redução da produção.O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a Europa terá contração de seu PIB de 3,2% em 2009. Os europeus estimavam que a queda seria de 2%. Os dados da produção industrial devem ainda ser mais uma pressão para que o Banco Central Europeu promova novos cortes em suas taxas de juros, para estimular a economia.Em alguns países, a produção em janeiro foi 25% inferior à de janeiro de 2008. A retração na Estônia foi de 26,8%; 23,9% na Letônia e 21% na Suécia e Hungria. Entre dezembro e janeiro, a queda foi de 3,5% no continente. Em relação à dezembro, a Alemanha sofreu uma queda de 7,5% em sua produção. A economia alemã é a maior da Europa e o país é o principal exportador do mundo. Mas com a queda nas vendas, parte de sua indústria começa a entrar em colapso. A redução registrada ontem é a maior desde a reunificação do país, em 1991. Nesta semana, a ThyssenKrupp AG, maior siderúrgica alemã, anunciou a demissão de 3 mil trabalhadores diante da queda na demanda pelo metal. Um dos clientes do setor siderúrgico é a indústria automotiva, que projeta uma queda de vendas de 25% em 2009. A Volkswagen, maior empresa europeia do setor, vai demitir 16,5 mil trabalhadores temporários. Já a também alemã BMW já demitiu 5 mil pessoas desde o ano passado. No Reino Unido, a queda nas vendas de carros em fevereiro foi de 56%. PREVISÕESAté o meio do ano, a economia dos 16 países-membros da zona euro terá decrescido 3,6%, informou ontem o Instituto Nacional de Estudos Estatísticos (Insee) da França. Na Alemanha, primeira economia do bloco, a queda será acentuada: 2,3% e 0,9% nos dois primeiros trimestres, segundo o Insee. Na França, os dois primeiros trimestres terão -1,5% e -0,6% como desempenhos. Na Itália, os índices esperados são -1,7% e -0,9%. Na Espanha, os percentuais devem ser de -1,4% e -1%. Fora da zona euro, o Reino Unido também seguirá a tendência dos vizinhos: -1,5% e -1%. Em todos os países analisados, o desempenho no segundo trimestre será melhor do que no primeiro, reforçando os indícios de retomada do crescimento na segunda metade do ano.

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