Aly Song/Reuters
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Produção industrial despenca na Zona do Euro, mas bolsas da região operam em alta

As indústrias da zona do euro e do Reino Unido e o Produto Interno Bruto (PIB) britânico apresentaram as piores quedas de suas histórias

Célia Froufe, O Estado de S. Paulo

12 de junho de 2020 | 11h11

As indústrias da zona do euro e do Reino Unido e o Produto Interno Bruto (PIB) britânico apresentaram as piores quedas de suas histórias desde que as coletas de dados começaram. Além disso, a possibilidade de uma segunda onda da pandemia de coronavírus nos Estados Unidos também se consolida como uma má notícia para os negócios. Mesmo assim, as bolsas europeias operam em alta na manhã desta sexta-feira, 12, após uma abertura bastante instável. Há pouco, o índice intercontinental Stoxx-600 avançava 1,27%, a 357,56 pontos, com o segmento de automóveis subindo 2,56% e o de cuidados com a saúde recuando 0,21%. As moedas locais registravam valorização em relação ao dólar.

 A tentativa agora é de recuperação depois do tombo de 4% do Stoxx-600 visto na quinta, com a diminuição das esperanças de que a recuperação da atividade na maior potência econômica do mundo terá um formato “V”. O alerta foi dado pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que previu uma queda do PIB dos EUA de 6,5% neste ano. Além disso, vários Estados do país registraram aumento de casos de covid-19 após reabrirem suas economias. O temor do mercado é a de que sejam implantadas novamente medidas de isolamento, que voltariam a suspender a atividade produtiva. Por conta disso, Wall Street teve ontem a pior sessão desde março, com o índice Dow Jones mergulhando mais de 1.800 pontos.

Os temores afetaram também as bolsas asiáticas, que fecharam majoritariamente em baixa nesta sexta-feira, seguindo o mau humor de ontem em Wall Street. 

 Pelos cálculos do Fundo Monetário Internacional (FMI), os pacotes de estímulo à economia para mitigar os efeitos do coronavírus somaram US$ 10 trilhões em todo o mundo, mas a diretora-gerente da instituição, Kristalina Georgieva, disse que serão necessárias mais ações para fortalecer a economia global. 

 Na Europa, a produção industrial da zona do euro desabou 17,1% de março para abril. Apesar do grande tombo, o resultado veio um pouco melhor do que as estimativas de analistas, de queda de 20%. De qualquer forma, este foi o pior desempenho já registrado na região.

 O Reino Unido também sentiu bem o choque, como foi divulgado nesta manhã. O PIB britânico recuou 20,4% na margem em abril e 24,5% em relação ao mesmo mês do ano passado, depois de já ter encolhido 5,8% em março. Sabia-se que o pior momento para o país seria nesse mês porque o Reino Unido foi um dos últimos membros da União Europeia (UE) a adotar a quarentena, que se iniciou ao final de março. Da mesma forma, foi publicado hoje que a produção industrial do mesmo mês apresentou uma queda de 20,3% ante março e de 24,4% em relação a abril de 2019.

 Lá também, o Brexit, como é chamada a saída da UE, volta a ganhar mais espaço nas tomadas de decisões feitas pelos operadores. Ontem, o jornal Financial Times disse que o país abandonou os planos de introduzir controles de fronteira com o bloco comum em 1º de janeiro - quando o divórcio começa a valer na prática -, após a pressão de empresas para minimizar o caos em meio à pandemia. O governo também informou na quinta-feira que as negociações sobre um acordo comercial depois do Brexit serão aceleradas em julho. Até aqui, admitem os dois lados, os progressos nas tratativas foram “limitados”.

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