Produção industrial do Japão registra maior queda em 4 anos

Economia japonesa vem sendo prejudicada pela crise financeira pois é basicamente direcionada às exportações

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

29 de outubro de 2008 | 07h42

A produção industrial do Japão caiu 1,2% no intervalo entre julho e setembro, a maior queda em quatro anos. É a terceira redução consecutiva do indicador, provocada pela desaceleração do crescimento global, que penaliza a economia do país, basicamente direcionada às exportações. Veja também:Veja os reflexos da crise financeira em todo o mundoVeja os primeiros indicadores da crise financeira no BrasilLições de 29Veja o que muda com a Medida Provisória 443Veja as semelhanças entre a MP 443 e o pacote britânico Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitosEspecialistas dão dicas de como agir no meio da crise Dicionário da crise  A baixa foi a maior desde o recuo de 1,5% registrado entre outubro e dezembro de 2004. Automóveis, máquinas e equipamentos e componentes eletrônicos foram os setores que lideraram as quedas. Os índices também apontam a mais longa sucessão negativa, desde um período de quatro trimestres, em 2001, quando o Japão estava no meio de sua última recessão. Sugerem ainda que a crise financeira global, iniciada nos EUA, gerou sérios problemas para as maiores economias da Ásia.  A decrescente demanda nos EUA e Europa, ao lado do encarecimento dos recursos naturais nos mercados globais, trabalharam contra o Japão, que há tempos cresce via exportações de produtos feitos com matérias-primas importadas. Os dados também mostraram que a produção industrial japonesa cresceu 1,2% em setembro. Melhor que o 0,5% estimado pelos economistas consultados pelo Dow Jones Newswires. Porém, os executivos da indústria de manufatura ouvidos relataram ao Ministério da Economia, Comércio e Indústria do país que esperam novas quedas da produção, em outubro e em novembro - respectivamente de 2,3% e de 2,2% -, indicando novas baixas do indicador, no quarto trimestre. Se estas previsões estiverem corretas, e se a produção industrial não reagir em dezembro, o indicador pode fechar o período em queda de 4%. O ministério abrandou a avaliação sobre a produção industrial, descrevendo o atual momento como de "tendência de ligeira queda", em vez de "enfraquecimento".

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