Produção industrial do Japão tem queda recorde de 10%

Queda em janeiro foi a maior no país desde 1953; índices de exportação e consumo também despencaram.

Ewerthon Tobace, BBC

27 de fevereiro de 2009 | 06h54

A produção industrial do Japão teve queda recorde de 10% no mês de janeiro em comparação ao mês anterior - a maior queda de mês a mês já registrada no país desde 1953. Segundo informou nesta sexta-feira o Ministério da Economia, Comércio e Indústria, este foi o terceiro mês consecutivo de queda. O recorde até então era a queda de 9,8%, registrada em dezembro do ano passado. O governo apontou a redução nas exportações e no consumo interno como os principais motivos para a queda. Ao todo, 16 setores pesquisados tiveram cortes de produção.O setor de componentes eletrônicos sofreu contração de 21,8% e o de equipamentos para transporte reduziu a produção em 17,3%.O governo fez uma projeção para os próximos meses e disse que o recuo será menor. Ele calcula uma queda de 8,4% para fevereiro e 2,8% para março.No entanto, Hideki Matsumura, analista sênior do Instituto de Pesquisas do Japão, disse à BBC Brasil que a redução na produção também deve ficar por volta dos 10% em fevereiro. No acumulado do primeiro trimestre, o economista prevê uma queda de 22% na produção industrial em relação ao último trimestre de 2008. "E em março, o nível de produção vai ser 40% menor em relação ao mesmo mês do ano passado", afirma. "Essas estatísticas são péssimas", lamenta.Mas Matsumura acredita numa recuperação da indústria japonesa a partir de março. "A produção industrial deverá ter uma ligeira recuperação no segundo trimestre deste ano", diz o especialista. "Porém, por causa da valorização do iene, as exportações não vão se recuperar este ano", prevê.O índice de exportações da indústria, também divulgado nesta semana, apresentou queda recorde com contração de 11,4% em janeiro emrelação ao mês anterior. A redução das exportações fez com queo país apresentasse um déficit comercial de 952,6 bilhões de ienes (US$9,9 bilhões) em janeiro, o mais alto desde que os dados começaram a serregistrados.O Japão é hoje muito mais dependente das exportações do que na década passada, e esses dados atestam a gravidade darecessão que atingiu a segunda maior economia do mundo. Como era de se esperar, os japoneses também estão gastando menos. Outro relatório divulgado nesta sexta-feira diz que houve uma queda de 5,9% nos gastos domésticos em janeiro em comparação há um ano atrás. Segundo o Ministério da Comunicação e de Assuntos Internos do Japão, o gasto médio das famílias japonesas em janeiro foi de 291.440 ienes (US$ 2.959).Essa redução é a maior desde que o Japão anunciou estar em recessão, em novembro do ano passado. Transporte e comunicação foram os itens que tiveram a maior queda no consumo, chegando a 15% menos em relação a janeiro de 2008.Apesar das perdas na indústria, nas exportações e no consumo, o desemprego caiu. A taxa de desemprego em janeiro, revelada nesta sexta-feria, foi de 4,1%, menor que a de dezembro, que ficou em 4,3%. Economistas previam para o começo de 2009 um índice em torno de 4,6%. Segundo o governo, a ligeira queda ocorreu por causa do aumento do número e donas de casas que começaram a trabalhar meio período para complementar a renda familiar.Os números, no entanto, continuam altos em comparação há um ano. Até o final de dezembro de 2008 havia no país 2,77 milhões de pessoas desempregadas, um aumento de 8,2% em relação a 2007.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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