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Produção industrial e inflação: cenários opostos para Selic

O cenário está dividido sobre as perspectivas para as taxas de juros. De um lado, o aumento abaixo do esperado da produção industrial de novembro deve reduzir as previsões para o crescimento do PIB em 2005. Isso abriria espaço para uma queda maior dos juros, já que o crescimento da economia está fraco.Por outro lado, os índices de inflação divulgados hoje vieram acima do esperado, o que significa que o Banco Central poderá ser cauteloso na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que se reunirá na próxima semana para reavaliar a Selic, a taxa básica de juros da economia, que está em 18% ao ano. A cautela do BC explica-se pelo seu objetivo de controle da inflação. Com juros maiores, o consumo é contido, mas acaba provocando efeitos negativos para o crescimento da economia.A inflação do município de São Paulo, medida pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da USP, foi de 0,46% na primeira prévia de janeiro. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) ficou ligeiramente acima do previsto pelos 12 analistas consultados pela Agência Estado, que apostavam numa variação entre 0,33% e 0,45%. Também a primeira prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de janeiro, que registrou alta de 0,40%, ficou acima das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pela Agência Estado, que esperavam um resultado entre 0,08% a 0,35%.Amanhã será divulgado o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro e o número consolidado do ano. Analistas esperam que o índice - usado como referência para a meta de inflação - fique entre 5,65% e 5,73% no acumulado do ano. Caso este resultado se confirme, a inflação ficará dentro da meta do governo - de 4,5%, com margem de variação de 2,5 pontos porcentuais para cima ou para baixo - mas acima do alvo perseguido pelo BC, de 5,1%.Dilema sobre jurosEconomistas ouvidos pela BBC Brasil também acreditam que o Brasil vive hoje um dilema em relação à possibilidade de baixar sua taxa básica de juros sem comprometer o controle da inflação. ?Por um lado, as taxas de juros usadas para controlar a inflação estão em níveis muito elevados e inibem o crescimento, mas por outro a volta da inflação teria certamente um lado muito negativo para a economia?, diz Sebastián Edwards, ex-economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina e para o Caribe.Para ele, o grande desafio hoje das autoridades monetárias brasileiras é descobrir ?o quanto os juros podem cair mantendo ao mesmo tempo a inflação baixa?. Ele avalia que permitir taxas de inflação maiores visando impulsionar o crescimento seria um erro. ?Nas últimas décadas, aprendemos que o crescimento econômico acompanhado de altos índices de inflação tem conseqüências muito negativas. Aceitar mais inflação seria um erro muito grave?, afirma.John Williamson, ex-conselheiro do Fundo Monetário Internacional, concorda que a taxa de juros básica da economia está em nível muito elevado hoje no Brasil e é um dos fatores que inibem um crescimento maior. Mas, diferentemente de Edwards, ele avalia que existe um espaço maior para a redução da taxa de juros.Na avaliação de Williamson, o Banco Central do Brasil pode se espelhar nas políticas adotadas nos anos 1990 pelo então presidente do Fed (o banco central americano), Alan Greenspan, para reduzir mais consistentemente as taxas de juros. Segundo ele, em um momento em que os níveis de desemprego estavam num nível baixíssimo, indicando uma possível pressão de demanda, o Fed continuou a reduzir suas taxas de juros sem que isso implicasse uma alta da inflação. Ele considera, porém, que ?não é possível comprar uma taxa de desemprego menor ou uma taxa de crescimento maior simplesmente com mais inflação?. ?Talvez seja possível no curto prazo, mas isso não funciona no longo prazo.?

Agencia Estado,

11 de janeiro de 2006 | 12h45

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