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Produção industrial e os gasto do consumidor do Japão recuam em março

Em seu relatório semestral de perspectiva, o BOJ disse que seu conselho de nove membros agora prevê crescimento de 0,6% no PIB real para este ano fiscal, que começou em abril

Hélio Barboza, da Agência Estado,

28 de abril de 2011 | 08h45

A produção industrial e os gastos dos consumidores do Japão apresentaram em março as maiores quedas já registradas, informou o governo, sublinhando o impacto do recente terremoto e tsunami e da atual crise nuclear sobre a frágil economia do país. A produção das fábricas e minas caiu 15,3% em março na comparação com o mês anterior, maior declínio desde que o governo começou a divulgar dados comparáveis, em fevereiro de 1953, de acordo com o Ministério da Economia, Comércio e Indústria. Metade dessa diminuição veio da produção automobilística, que despencou 46,4%.

O número da produção industrial é "um dado muito chocante", disse o ministro da Economia Kaoru Yosano. O Banco do Japão (BOJ, banco central do país), reduziu sua previsão de crescimento para o ano fiscal que começou em 1º de abril, devido ao impacto dos problemas de oferta causados pela crise.

Em seu relatório semestral de perspectiva, o BOJ disse que seu conselho de nove membros agora prevê crescimento de 0,6% no PIB real para este ano fiscal, que começou em abril, comparado a uma estimativa de 1,6% na revisão de janeiro. O banco prevê, no entanto, uma forte recuperação no ano que vem, e projeta uma expansão de 2,9% para o ano fiscal que começa em 1º de abril de 2012. Em janeiro, o BOJ previa crescimento de 2%.

Outros dados divulgados nesta quinta-feira revelaram que o gasto das famílias caiu 8,5% em relação a um antes, segundo o Ministério dos Assuntos Internos e Comunicações. Foi o pior desempenho desde que começaram a ser apresentados dados comparáveis, em janeiro de 1964.

De acordo com os dados, a produção de maquinário geral, produtos químicos, artigos de plástico, aço, maquinário eletrônico, produtos metálicos, metais não-ferrosos, instrumentos de precisão e derivados de petróleo caiu a taxas porcentuais de dois dígitos em março.

A taxa de desemprego ficou inalterada em 4,6% em março, disse o Ministério. Mas a confiabilidade desse dado é questionável porque o Ministério excluiu números das três prefeituras mais atingidas pela catástrofe de março, devido à dificuldade de entrevistar as famílias na região.

O Ministério de Terras, Infraestrutura e Transporte disse que as encomendas de construção recebidas pelas 50 maiores empreiteiras do país caíram 11% em março, com os pedidos do setor público diminuindo 28,2%.

O economista-chefe do Dai-Ichi Life Research Institute, Toshihiro Nagahama, disse que os problemas no Japão vão prejudicar a produção de seus parceiros comerciais, incluindo os EUA. "Nossas estimativas mostram que quando a produção industrial registra queda mensal de 10%, a produção industrial dos EUA se reduz em 0,8 ponto porcentual no mesmo mês", afirmou. "O impacto nos países asiáticos será ainda maior." Porém, os economistas parecem concordar que o pior da recessão induzida pela catástrofe ocorreu em março.

Na pesquisa de produção, os industriais disseram ao Ministério da Economia, Comércio e Indústria que esperam um aumento de 3,9% na produção de 3,9% em abril e 2,7% em maio. Contudo, o economista Hiroshi Watanabe, do Daiwa Institute of Research disse que "até o fim do ano a produção dificilmente vai voltar aos níveis de fevereiro".

O governo espera obter aprovação do parlamento na próxima segunda-feira para implementar um pacote de ajuda de 4 trilhões de ienes. Mas os economistas dizem que ele deve gastar mais em esforços de recuperação, mesmo que isso leve a dívida do país a crescer ainda mais, sob pena de os cenários de recuperação não se materializarem.

Preços ao consumidor

O Ministério dos Assuntos Internos do Japão comunicou que o índice nacional de preços ao consumidor (CPI) caiu 0,1% em março na comparação com um ano antes. Embora a queda do índice tenha se desacelerado nos últimos meses com a alta dos preços globais de petróleo e de outras commodities, o resultado de março foi o 25º declínio mensal consecutivo, num sinal de que as pressões deflacionárias continuam. Economistas ouvidos pela Dow Jones esperavam queda de 0,1% do CPI; em fevereiro, recuou 0,3%.

O núcleo do CPI para a região metropolitana de Tóquio, considerado um antecedente do índice nacional, subiu 0,2% em abril, levemente acima da previsão dos economistas de alta de 0,1%. A alta é a primeira desde março de 2009. As informações são da Dow Jones.

 

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