Produção industrial europeia cai 21,6%

Dados de abril frustraram expectativas de recuperação na zona do euro

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

13 de junho de 2009 | 00h00

As esperanças da Europa de que o pior da crise já teria passado levaram um banho de água fria ontem. Dados oficiais da Comissão Europeia apontaram que a produção industrial na zona do euro sofreu uma queda recorde de 21,6% em abril ante igual período do ano passado. A queda eleva os temores de uma ampliação do número de desempregados no continente. Os dados vêm dias depois do surgimento dos primeiros sinais positivos na Europa. Como consequência, as bolsas de valores voltaram a cair e o petróleo perdeu terreno.Em abril, a produção industrial sofreu uma queda de 1,9% em relação a março. Mas em relação ao mesmo período de 2008, a queda é a maior já registrada pela UE desde que iniciou a avaliação dos dados em 1991. Os dados também indicam que a Europa será uma das principais vítimas da recessão. Dados da produção industrial do Japão e China foram positivos. O mercado esperava que os dados de abril já mostrassem que a queda não seria tão profunda, indicando uma possível superação do pior momento da crise. Mas a constatação foi de que a recessão ainda vai levar meses para ser dissipada. No primeiro trimestre, a contração do Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro foi de 2,5%, pior que nos Estados Unidos ou Reino Unido. Para o Banco Central Europeu, que mantém suas menores taxas de juros já praticadas, uma expansão real do PIB só será vista a partir de meados de 2010.O BC europeu admite que as condições do mercado financeiro estão melhores. Mas alerta que a fraqueza no setor bancário ainda impede uma retomada do crescimento na zona do euro. Com os dados de ontem sobre a produção industrial, o temor é de que a taxa de desemprego no continente cresça. O Banco Central Europeu chegou a revisar para baixo suas previsões de crescimento para 2009 e 2010. Para este ano, a queda será de até 5,1%. Há três meses, a projeção era de uma queda de 2,7%. Para 2010, a economia continuará em queda de até 1%, ao contrário das projeções de possível estagnação. A França registrou uma queda de 1,4% em sua produção industrial para o mês de abril. Na Alemanha, as exportações tiveram em abril sua pior queda desde a 2ª Guerra Mundial, uma contração de 28%. No início da semana, os alemães já haviam registrado um fraco desempenho em suas indústrias.Nos EUA, as exportações continuam a cair e o volume de importação não consegue retornar aos níveis pré-crise. Os problemas mostram a dificuldade que a economia americana ainda tem para sair de um ciclo de recessão. Só as exportações caíram em 2,3%. No Canadá, as exportações tiveram as piores quedas em dez anos.

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