Produção industrial fecha 2003 em +0,3%, pior dado desde 99

A produção industrial do País fechou 2003 com aumento de 0,3% ante o ano anterior, apresentando o pior resultado desde 1999 (-0,7%). Segundo o IBGE, o resultado do ano reflete desempenho setoriais bastante diferenciados, com destaque para segmentos vinculados à agroindústria ou exportações, como a indústria mecânica (8,9%), metalúrgica (4,5%) e extrativa mineral (2,4%). Por outro lado, os segmentos que dependem da demanda de consumo interna apresentaram queda no ano, como vestuário e calçados (-12,5%) e indústria farmacêutica (-18,5%). Os bens de consumos duráveis apresentaram queda acumulada de 0,5%, apesar da recuperação registrada no segundo semestre do ano; os bens de consumo não-duráveis registraram queda de 5,5%. O resultado dos bens de consumo não-duráveis, que são os mais atrelados aos rendimentos dos trabalhadores foi o pior registrado nos últimos seis anos, segundo os dados do IBGE. Houve aumento acumulado em bens de capital (1%) e de bens intermediários (1,6%). O coordenador de indústria do IBGE, Silvio Sales, destacou que a análise dos índices de média móvel trimestral (considerado o principal indicador de tendência) mostra que houve duas fases distintas para a indústria em 2003, com redução generalizada do nível de produção entre dezembro de 2002 e julho de 2003, revertendo para "uma significativa recuperação na produção" a partir de julho.Alta de 2,9% em dez/2003 ante dez/2002A produção industrial registrou em dezembro do ano passado aumento de 2,9% ante igual mês de 2002, na quarta expansão consecutiva nesta base de comparação. Este crescimento ficou próximo do piso das estimativas do mercado, que iam de 2,7% a 4,5%. Houve, no entanto, queda de 1% na produção em dezembro ante novembro de 2003, revertendo cinco resultados positivos consecutivos neste indicador. Este dado ficou abaixo das estimativas do mercado, que iam de -0,7% a +1,2%. O segmento de bens de consumo não duráveis, que depende da renda do trabalhador, permaneceu em queda acentuada em dezembro, com redução de 7,7% ante igual mês de 2002 e queda de 3,6% ante novembro. Por outro lado, os bens de consumo duráveis, atrelados ao crédito, registraram crescimento de 10,3% ante dezembro de 2002, embora tenham tido queda de 2,1% ante novembro após seis meses consecutivos de expansão. Os bens de capital apresentaram crescimento de 9,2% em dezembro ante dezembro de 2002 - o melhor resultado do ano nesta base de comparação - mas teve queda de 5,3% ante novembro, o pior dado do ano por este critério. Os bens intermediários de consumo - os mais vinculados às exportações - cresceram 4,8% ante dezembro de 2002 e 0,9% ante novembro de 2003.

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