Alex Silva/Estadão - 04/09/2020
Alex Silva/Estadão - 04/09/2020

Produção industrial sobe 0,7% em fevereiro ante janeiro

Na comparação com o mesmo mês do ano passado, houve queda de 4,3%, aponta IBGE

Daniela Amorim e Cícero Cotrim, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2022 | 09h11
Atualizado 01 de abril de 2022 | 12h52

RIO e SÃO PAULO - A produção industrial brasileira avançou 0,7% em fevereiro ante janeiro, melhor resultado para o mês desde 2017, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal divulgados nesta sexta-feira, 1º, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Embora tenha surpreendido positivamente, o avanço ainda não foi suficiente para recuperar a perda de 2,2% registrada no mês anterior. Em relação a fevereiro de 2021, a produção teve uma retração de 4,3%.

"Essa alta vem depois de uma forte queda em janeiro e é uma recuperação apenas parcial", resumiu o estrategista-chefe do Banco Mizuho para América Latina, Luciano Rostagno.

Rostagno estima uma contração de 1% da produção industrial no ano, o que seria o pior desempenho entre os componentes do Produto Interno Bruto (PIB) pelo lado da oferta.

"É um setor que começa o ano com uma taxa de juros elevada, com custos elevados e com incerteza por causa da eleição presidencial em outubro, é um cenário desafiador", justificou Rostagno. "A gente ainda não tem os primeiros dados de março, mas a queda da confiança da indústria sugere sinais não positivos para o fechamento do trimestre", acrescentou.

A invasão da Ucrânia pela Rússia tem potencial de agravar os problemas de oferta já enfrentados pela indústria brasileira, que se somam ainda a entraves na demanda, avaliou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.

“É algo importante a ser considerado e ser observado”, opinou Macedo, citando as dificuldades já existentes de obtenção de matérias-primas e componentes, além do aumento nos custos de produção. “De alguma forma, (a guerra) pode agravar ainda mais essas condições”, completou.

Pelo lado da demanda, o pesquisador do IBGE lembra que a indústria é afetada pelo aumento nos juros altos, a inflação elevada, o contingente ainda expressivo de brasileiros sem emprego, a massa de salários estagnada, e o crescimento do endividamento e da inadimplência.

“São muitos fatores que nos ajudam a entender essa indústria operando em patamar abaixo de períodos anteriores”, observou.

Segundo Macedo, a oscilação na indústria nos últimos meses representa uma melhora, por diferir do comportamento predominantemente negativo exibido pelo setor ao longo de 2021, embora ainda seja incapaz de reverter as perdas passadas.

A indústria brasileira chegou a fevereiro operando 2,6% aquém do patamar de fevereiro de 2020: apenas sete das 26 atividades investigadas se mantêm operando em nível superior ao pré-crise sanitária.

Os níveis mais elevados em relação ao patamar de fevereiro de 2020 foram os registrados pelas atividades de produtos de máquinas e equipamentos (12,0%), produtos de madeira (5,7%), minerais não metálicos (5,5%) e outros equipamentos de transportes (5,1%). No extremo oposto, os segmentos mais distantes do patamar de pré-pandemia são móveis (-23,0%), couro, artigos de viagem e calçados (-21,1%), veículos automotores (-19,6%) e vestuário (-18,0%).

O avanço na produção industrial em fevereiro ante janeiro foi resultado de uma expansão em 16 dos 26 ramos pesquisados. Ainda assim, a indústria operava 18,9% aquém do pico alcançado em maio de 2011.

"Espera-se que o setor industrial enfrente ventos contrários à frente, condições financeiras mais apertadas, fraca demanda, à medida que a inflação erode a renda real disponível, problemas persistentes em cadeias de suprimentos e custos altos de logística, energia e outros insumos", alertaram o diretor de pesquisa macroeconômica para América Latina do banco Goldman Sachs, Alberto Ramos, e o analista Daniel Moreno, em relatório.

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