Produção industrial fica estável em abril

A produção industrial brasileira ficou estável em abril, tomando como base março. Na comparação com o mesmo período do ano passado, porém, o período correspondeu a uma queda de 1,9% - a mais intensa desde agosto de 2003, quando a produção industrial caiu 2,8%. Os dados, divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram uma desaceleração no ritmo de expansão dos últimos 12 meses: 2,6% para o período findo no quatro mês do ano, contra 3,3% da taxa acumulada no mês anterior.De acordo com a gerente da Pesquisa Industrial Mensal Produção Física - Brasil (PIM-PF), Isabela Nunes, para abril, a queda de 1,9% é a mais forte desde abril de 2003, quando a produção caiu 4,7%. "Mas essa queda registrada em abril de 2006, ante abril do ano passado, é pontual", frisou. Isabela explicou que o menor número de dias úteis em abril deste ano impactou bastante o resultado - o quarto mês de 2006 registrou os "feriadões" da semana santa e de Tiradentes. "Além disso, houve uma base de comparação forte. Em abril de 2005, a indústria estava crescendo, as exportações estavam crescendo muito", disse a gerente. Para ela, o resultado de abril deste ano "fugiu do padrão". A gerente explicou que, ao se fazer um tratamento estatístico no resultado de abril, de forma que o número de dias úteis em abril deste ano e em abril do ano passado fossem ajustados para uma mesma quantidade, "teria sido registrado um crescimento de 2,5% e não uma queda de 1,9%, em abril deste ano (ante abril do ano passado)". Entretanto, a técnica comentou que, em abril deste ano, o índice de difusão (que mede a proporção de taxas positivas dentro da cesta de 750 produtos pesquisados pelo IBGE para produção industrial) ficou em 37%. Pelo menos desde janeiro de 2004 não havia sido registrado um patamar tão baixo, nesse índice de difusão - o IBGE não forneceu, até o momento, uma série histórica anterior à janeiro de 2004, no caso desse indicador. Os técnicos da instituição explicaram no documento de divulgação do indicador que a estabilidade entre março e abril "reflete uma maior concentração entre os setores que expandiram a produção - 14 - do que os que apresentaram decréscimo - 9". Entre as indústrias que aumentaram a produção, os desempenhos de maior importância vieram da metalurgia básica, com avanço de 4,2%; de outros produtos químicos, com 2%; e de bebidas, com 3,5%. Em contrapartida, farmacêutica (-7,0%) e alimentos (-1,5%) exerceram as principais pressões negativas.Patamar elevadoEmbora a produção industrial tenha registrado estabilidade em abril ante março, a indústria permanece operando em patamar elevado, na avaliação de Isabela. "A indústria está em um patamar elevado, mantendo esse ritmo", afirmou a técnica, acrescentando que "o cenário na indústria é positivo". Ela comentou que a estabilidade também se reflete no indicador de média móvel trimestral, que apontou ligeira variação de 0,2% em abril ante março. Sem fazer previsões, Isabela observou que, embora a média móvel trimestral seja usada para mensurar tendências na indústria, ainda é cedo para detectar os movimentos futuros no setor industrial. "Vamos esperar. Esse é um ano de eleição, um ano que vamos ter gastos do governo; o consumo das famílias tem aumentado por conta do aumento na massa salarial, da redução da inflação - principalmente de alimentos, com peso grande na cesta -, e a manutenção no ritmo de oferta de crédito", observou a gerente,considerando que esse cenário terá influência nos resultados de produção industrial. Tendência de altaSegundo o IBGE, a única tendência de alta foi vista no acumulado dos quatro primeiros meses do ano, que, na comparação com o período de janeiro a abril do ano passado, avançou 2,9%. Para Isabela, essa evolução reflete cenário positivo da indústria. De acordo com ela, a produção industrial no terceiro quadrimestre de 2005 também tinha crescido, mas em menor nível: alta de 0,9% ante igual quadrimestre do ano anterior. No primeiro quadrimestre deste ano, houve altas expressivas nas produções de bens de consumo duráveis (10,9%) e bens de capital (6,7%) na comparação com igual quadrimestre do ano passado. No mesmo período de comparação, também foram registradas altas nas produções de bens intermediários (1,6%) e bens de consumo não-duráveis (2,4%). "Houve um ganho de ritmo (na produção industrial) no primeiro quadrimestre, e esse movimento se estendeu em todas as categorias de uso", afirmou Isabela.Este texto foi atualizado às 14h47.

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