Produção industrial ficou estável em novembro, segundo a CNI

Apesar da redução de estoques, as empresas ainda estão com problemas e voltaram a demitir funcionários

EDUARDO CUCOLO /BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2011 | 03h08

Os números da indústria brasileira melhoraram em novembro, mas o nível de atividade segue baixo e as expectativas para 2012 pioraram, de acordo com dois levantamentos da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Sondagem industrial divulgada ontem mostra que a produção industrial ficou estável em novembro em relação a outubro, após dois meses consecutivos de queda. A utilização da capacidade instalada subiu, embora continue abaixo do usual.

O indicador mostra ainda que, mesmo sem reduzir a produção, os empresários conseguiram reduzir os estoques acumulados, que ainda assim continuam em nível elevado. O destaque negativo do levantamento foi a evolução do número de empregados, que apresentou piora e continua a registrar mais demissões do que contratações.

A sondagem também mede as expectativas do setor em relação aos próximos seis meses. O único item que ainda aponta previsão de crescimento é a demanda, embora esse indicador tenha piorado em relação a outubro e esteja no menor patamar desde a crise de 2009.

As expectativas para exportações e compra de matérias primas ainda são de queda, embora menor. Em relação ao número de empregados se espera uma piora ainda maior. Para a CNI, "o acirramento da competição com produtos importados e a crise externa minam o otimismo dos industriais brasileiros". "As expectativas dos empresários indicam que a indústria deve começar o próximo ano devagar", afirma o economista da CNI Marcelo Souza de Azevedo.

Confiança. Outro levantamento da confederação divulgado ontem, o Índice de Confiança do Empresário Industrial recuou 0,5 ponto em dezembro, na comparação com novembro, para 54,8 pontos. Valores acima de 50 mostram que a maior parte do empresariado está confiante.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a queda foi de 6,7 pontos.

A avaliação dos empresários sobre a situação da economia brasileira e das empresas ficou mais pessimista. As perspectivas para o futuro ainda são otimistas, mas em um nível menor que o verificado no levantamento anterior.

Os resultados se devem, principalmente, às avaliações das empresas de maior porte. "Há uma constante piora no cenário externo e, como as grandes empresas são mais dependentes das exportações, elas sentem mais os efeitos", diz o economista da CNI Marcelo de Ávila.

O levantamento mostra ainda que as piores avaliações estão nas regiões Norte e Sudeste. Os empresários do Nordeste são os mais otimistas.

O setor de limpeza e perfumaria e o de bebidas apresentam os indicadores mais positivos. As indústrias de material eletrônico e comunicação, borracha, vestuário e veículos automotores são as mais pessimistas.

Construção Civil. A atividade da construção civil no País caiu em novembro, registrando 49,3 pontos, de acordo com sondagem da CNI. Pelo quarto mês consecutivo, o nível de atividade no setor ficou abaixo do usual, com 47,2 pontos. Também houve retração do emprego no setor, cujo indicador ficou em 49,2 pontos no mês passado.

Os indicadores da sondagem variam de zero a cem pontos. Os valores acima de 50 indicam aumento da atividade, atividade acima do usual e expectativa positiva. / COLABOROU CIRCE BONATELLI

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