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Produção industrial tem queda anual de 9% em agosto, a maior baixa desde 2003

Recuo se refere ao resultado de agosto em relação ao mesmo mês em 2014; produção da indústria acumula queda de 6,9% em 2015

Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

02 de outubro de 2015 | 09h00

RIO - A produção industrial caiu 1,2% em agosto ante julho, divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação a agosto de 2014, a produção caiu 9%, a maior queda para o mês desde o início da série histórica, em 2003. Considerando todos os meses na comparação anual, trata-se da 18ª taxa negativa consecutiva.

Já o recuo de 1,2% na produção em agosto ante julho foi o mais intenso para o mês desde 2011, quando houve retração de 2,1% na atividade na margem. No ano, a produção da indústria acumula queda 6,9% até agosto. Já em 12 meses, o recuo é de 5,7%.

A indústria brasileira está se distanciando cada vez mais de seu pico histórico de produção, verificado em junho de 2013, afirmou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE. Em agosto deste ano, a atividade ficou 15% abaixo de seu ponto máximo. Em julho, a produção estava 14,1% distante de seu pico histórico. 

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'Em termos de patamar, é como se a produção estivesse operando em maio de 2009' - IBGE
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"Em termos de patamar, é como se a produção estivesse operando em maio de 2009", notou Macedo. O gerente lembrou que, na esteira da crise mundial, a produção recuou 7,1% naquele ano.

O resultado mensal veio dentro do intervalo de expectativas dos analistas de 46 instituições ouvidas pela Agência Estado, que esperavam desde queda de 2,15% a avanço de 0,10%, com mediana de negativa em 1,60%. Na comparação entre meses de agosto,as 40 estimativas variavam desde queda de 10,80% a retração de 4,20%, com mediana negativa de 9,55%.

Atividade. O recuo de 1,2% na produção industrial em agosto foi acompanhado por 14 dos 24 ramos investigados. O principal impacto negativo veio de veículos, cuja produção recuou 9,4% no período. Em julho ante junho, o setor, após uma sequência de nove quedas, teve crescimento de 1,9% - que não se sustentou no mês seguinte.

Também tiveram quedas importantes na atividade na passagem de julho para agosto os segmentos de produtos derivados de petróleo e biocombustíveis (-1,6%), produtos de metal (-3,0%), metalurgia (-1,3%), calçados e couro (-3,6%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-2,5%) e outros equipamentos de transporte (-3,4%).

No lado positivo, a maior influência veio dos produtos alimentícios, cuja atividade avançou 2,4% em agosto ante julho (após queda de 5,4% em julho ante junho). A produção de bebidas, por sua vez, avançou 4,3%, após queda de 6,1% na mesma base de comparação. A indústria extrativa teve alta de 0,6% em agosto ante julho.

Dólar. A desvalorização do real ante o dólar continua a beneficiar a produção de setores mais voltados ao mercado externo, afirmou Macedo. Só que esse aumento não é suficiente para salvar a indústria de novos resultados negativos.  "É claro que observamos, naquelas atividades mais voltadas para mercado externo, alguma melhora. Mas ainda é insuficiente para reverter trajetória descendente da produção, que está bem marcada", afirmou Macedo.

O setor de celulose e papel é o principal exemplo, mencionou o gerente do IBGE. Em agosto, esse setor teve alta de 1% na atividade ante igual período de 2014. Na análise por quadrimestres, a melhora é ainda mais evidente. Nos primeiros quatro meses de 2015, o grupo celulose, dentro de bens intermediários, avançou 0,5% ante igual período do ano passado. Já entre maio e agosto, a alta foi de 11,6% na mesma base de comparação.

Outros produtos também têm mostrado melhora em termos de exportação, pontuou Macedo, entre eles madeira, aviões e produtos siderúrgicos. "Ainda assim, os desempenhos são insuficientes para reverter a trajetória tanto da produção como um todo quanto das atividades em que estão inseridos", afirmou.

Revisão.O IBGE revisou o desempenho da produção industrial em julho ante julho de 2014. A queda na atividade foi de 9% no período, mais do que o recuo de 8,9% apurado anteriormente.

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